O cantor e compositor Mark Lanegan viveu uma noite de hipnólogo no palco do recém-inaugurado Comitê, mais nova casa de shows da Rua Augusta, em São Paulo. O evento era o Popload Gig Cult que aconteceu na noite da última quinta (24).

De volta ao Brasil um ano depois de um show memoravel com Greg Dulli (ex-Afghan Whigs) no projeto Gutter Twins, o cantor voltou à capital paulista com um set list acústico, enxuto e equilibrado entre as músicas de suas várias bandas.

Apesar de um pouco burocrático no show, tanto pelo fato de escolher só uma música de cada um de seus velhos projetos quanto pela falta de interação com a plateia, no momento que o ex-Screaming Trees abre a boca a antipatia desaparece.

É uma coisa incrível de se ver: Lanegan cantando When Your Number Isn’t Up, One Way Street e No Easy Action logo de cara e preparando o terreno para Where The Twain Shall Meet, clássico dos Trees, lançado em 1989 no álbum Fuzz Factory.

A voz de Lanegan é funda a ponto de parecer distante. Conforme o show avançava, era como se a música fosse empurrando a plateia para fora de um poço, mas com o cantor ficando para trás. A voz vai ficando longe, longe e mais longe, sem sequer ter uma mínima alteração de volume.

Num set com Bell Black Ocean, Message To Mine e Resurrection Song, teve espaço até pra Julia Deam, b-side maravilhoso do Pink Floyd da época em que Syd Barrett tinha acabado de ser afastado da banda, essencial em qualquer coleção de rock progressivo que se preze. Na verdade, esse é o primeiro single do Floyd que foi lançado com a voz de David Gilmour, junto com It Would be so Nice no lado A.

A parte final do show também foi quente, com The River Rise, One Hundred Days, On Jesus Program, Traveller e Wild Flowers, todas elas muito ovacionadas pelo receptivo público do Comitê.  O fim do set foi bem repentino, mas arrancou aplausos do plateia que assistiu perplexa a uma versão voz e violão de Hangin’ Tree, dos Queens of The Stone Age, provavelmente a melhor surpresa da noite.

Mark Lanegan é uma entidade e só isso já era motivo suficiente para que o show fosse visto por muita gente. Agora, é um pouco de sacanagem cobrar R$ 90 em um ingresso para um show no local, já que um lugar não era exatamente dos mais confortáveis.

Se ele aparecer por aqui novamente, não perca, porque vale muito a pena…

Setlist

When Your Number Isn’t Up
One Way Street
No Easy Action
Miracle
Shiloh Town
Like Little Willie John
Don’t Forget Me
Where The Twain Shall Meet
Bell Black Ocean
Message To Mine
Can’t Catch The Train
Mirrored
Resurrection Song
Julia Dream
The River Rise
One Hundred Days
On Jesus’ Program
Traveller
Bombed
Wild Flowers
Hangin’ Tree

Mark Lanegan hipnotiza plateia paulista em show impecável

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