Na hora do vestibular, além de encarar questões cabeludas de trigonometria, ondulatória e estequiometria, você vai se deparar com aquela folha pautada, completamente em branco, esperando para ser preeenchida. Sim, depois de enrolar, postergar, protelar, procrastinar o ano todo para escrever uma mísera linha, finalmente você terá que desenvolver a famosa e temida redação, a qual passará pelo crivo implacável dos corretores.

Esse é o erro cometido por 11 entre dez vestibulandos: não escrever as redações propostas pelos professores durante o período de estudos, na esperança de que, no dia do exame, “baixe” o Machado de Assis no sujeito, fazendo com que ele escreva a “redação nota 10”. Não é novidade que essa “estratégia” simplesmente não funciona.

A grande questão é que não dá pra fugir dela, e só é possível chegar à perfeição – ou próximo disso – por meio da prática. Contudo, para fazer uma boa redação não basta apenas saber escrever, e sim ter o quê escrever, e um bom repertório só se adquire com a leitura.

“Ler muito jornal, revista. Os grandes vestibulares pedem que o aluno faça link com atualidade, então não ler apenas notícias, mas artigos, editoriais, que são textos com maior sofisticação. Também são bacanas textos mais intelectuais que saem em cadernos de cultura”, explica o professor de Técnicas de Redação Welington Andrade, com experiência em correção de grandes vestibulares. “Corretores da Fuvest não se satisfazem apenas com alunos bem informados. Eles querem também um posicionamento crítico e um ponto de vista elaborado.”

Enganam-se também os que pensam que o único repertório a agradar os examinadores seja o “acadêmico”, extraído da obra de escritores e pensadores conceituados. Existem maneiras mais “prazerosas” de se adquirir uma bagagem cultural consistente. “Os alunos podem fazer referências a músicas, filmes, passagens interessantes de programas de TV”, exemplifica Andrade.

Conselhos para uma se fazer uma boa redação são fáceis de se conseguir, o único problema é a disposição do aluno em se esforçar a escrevê-lo. E é algo que vale a pena, porque as redações, nos grandes vestibulares, são eliminatória e classificatórias.

O que NÃO fazer!

Tão importante quanto ter em mente o que fazer para escrever uma boa redação é saber o que não se deve na hora do exame. Um exemplo são os clichês, também conhecidos como muletas, aquilo no que o aluno se apoia e o recurso a que recorre quando não tem o que dizer, tornando o texto pobre, previsível, comum.

Manuais de redação de grandes jornais listam expressões que devem sempre ser evitadas. Entre elas estão:

  • antes de mais nada
  • a todo o vapor
  • carreira meteórica
  • chegar a um denominador comum
  • consequências imprevisíveis
  • correr por fora
  • do Oiapoque ao Chuí
  • fazer por merecer
  • luz no fim do túnel
  • no fundo do poço
  • os quatro cantos do mundo
  • pergunta que não quer calar
  • preencher uma lacuna

Resumindo, desconfie de qualquer expressão, ou frase feita, que venha muito fácil à mente na hora de escrever e fuja delas como o “diabo foge da cruz”.

Segundo o professor, uma das muletas mais famosas que os vestibulandos usam, sem culpa alguma, são citações de livros pedidos em vestibular. “É uma pegadinha quando as pessoas acabam citando os próprios livros do vestibular, pois o fazem com uma abordagem que já foi comentada pelo professor. Isso também ocorre quando o aluno tenta citar o próprio conteúdo da prova, o que acontece principalmente no Enem.”

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