Direção: Jason Reitman
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick

Frequentemente, os responsáveis pelas traduções de títulos para o português fazem besteiras incríveis. Foi assim com, por exemplo, Cidade dos Sonhos. Em Amor Sem Escalas, a versão aportuguesada não chega a entregar o filme, mas praticamente desvia o longa de sua proposta original.
 
O fato de George Clooney encabeçar o elenco também pode dar a sensação de que as premiações enlouqueceram e indicaram uma simples comédia romântica para o Globo de Ouro e o Oscar, mas a realidade é que o novo filme de Jason Reitman não é nada disso. Up in the Air, título original, é uma tradução de dois aspectos da trama: a profissão do protagonista Ryan Bingham e a instabilidade de sua vida e do momento em que o seu país se encontra.

Bingham desempenha uma função comum nos Estados Unidos, mas praticamente inexistente no Brasil: ele é contratado por empresas para demitir seus funcionários e, dessa forma, evitar constrangimentos. Por isso, o quarentão mulherengo passa seus dias entre aeroportos e hotéis, falando manso com os novos desempregados e oferecendo apostilas motivacionais. Ele não é casado, não tem filhos e nem muitos amigos: seu único hobby é colecionar milhas de vôo e encontros casuais – e ele adora isso.

As coisas mudam de uma hora para outra quando, quase simultaneamente, duas mulheres cruzam seu caminho: uma delas é Natalie, uma jovem que chega à empresa dos Conselheiros de Transição de Carreira com um projeto que obrigaria Ryan a abandonar sua tão amada vida inconstante. A outra é Alex, uma quarentona bonita, decidida e bem sucedida, quase uma versão feminina de Ryan.

Usando, alguns elementos de comédia e romance para contar essa história que fala, delicadamente, sobre a atual situação financeira dos Estados Unidos, Reitman quer fazer pensar. A crise americana é usada como pano de fundo para analisar as decisões e destinos dos personagens, bem interpretados e bem construídos.

Com isso, Amor Sem Escalas prova ser merecedor de suas indicações e deixa sua marca no cinema como uma bela reflexão humana, feita com muita expertise e pouco chroma-key.

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