No domingo (09), cerca de 250 paulistanos entraram em vagões do metrô sem as calças. Participantes do No Pants Subway Ride (Passeio de Metrô Sem Calças), os meio-pelados foram da estação Luz até a Consolação e depois desceram a rua Augusta.

Combinado pela internet em comunidades do Orkut e divulgado em blogs temáticos, o flash mob No Pants Subway Ride de São Paulo aconteceu na tarde ensolarada do último domingo, mesmo dia em que acontece em mais de 50 cidades ao redor do mundo.

Domingo sem calças

Eu e o glorioso fotógrafo do Portal Virgula, Gabriel Quintão, vestimos nossas melhores cuecas para fazer hora extra em uma (des)cobertura dominical. As cuecas na verdade eram para a São Silvestre Gay, mas não conseguimos acompanhar o evento que foi puro luxo, bem com as últimas 29 edições!

Chegamos à estação Luz exatamente às 4:20 da tarde. Uma aglomeração atípica na plataforma já denunciava o furdunço que estava por vir. Eram cerca de 50 jovens com olhinhos brilhando de ansiedade para sacar as peças de roupa.

Um pouco diferente do que acontecia nas primeiras edições gringas, em que a ideia era ficar sem calças como se nada estivesse acontecendo, a capital paulista trouxe um pouco da carnavalização que é peculiar aos nossos eventos.

Por mais que a divulgação pretendesse fazer um No Pants mais discreto do que aquele que a galera do Pânico acompanhou em 2010, as 250 pessoas não conseguiam se conter e trocaram várias vezes de vagão.

Em uma dessas trocas consegui viajar em um silencioso vagão só com gente vestida, e não pude evitar de ouvir a conversa de uma passageira ao telefone. Vera contava à irmã a situação que tinha acabado de passar, sem ter a menor noção do que estava acontecendo.

“Vi muita gente assim hoje, desde a zona leste tinha um pessoal sem calças. Um cara que estava do meu lado falou: Tá todo mundo tirando, vou tirar também”, contou. Se sentindo agredida, Vera atacou os participantes que, segundo ela, eram asquerosos.

“Barriga pendurada, celulite, bundinha magra chupada, perninha fina…” foram alguns dos adjetivos usados por Vera, que negou ser moralista. Completamente vestida, ela finalizou com uma frase que faz a gente refletir: “O belo é bonito de se ver”.

Quando chegamos à estação Paraíso, os “organizadores” (nenhum deles se assumiu organizador de verdade, mas coordenavam a turba ignara) disseram que a procissão seguiria até a estação Consolação.

o motivo oculto para essa decisão é quantidade de barzinhos que a região da Rua Augusta disponibiliza, e os blogeiros mais animados só organizaram essa parada para conseguir ver bundinhas à vontade e convidar seus portadores e portadoras para uma cerveja refrescante. Tudo por água abaixo, apesar do calor e das bundinhas de fora, o evento recheado de menores de idade foi apenas lúdico e familiar. Brincadeira, viu gente, ninguém foi para lá com más intenções.

Na estação Sé alguns participantes foram retirados do vagão por agentes da segurança do Metrô. Segundo um dos editores do blog Mobrasilnews, os garotos teriam se desentendido com um policial dentro do vagão, e foram revistados do lado de fora.

Mas nem toda autoridade se opôs aos bumbuns. Enquanto a galera descia a Rua Augusta, depois de uma pausa na Av. Paulista (com direito à session de break dance), dois policiais militares observavam a movimentação ao lado da viatura. O PM Sérgio disse ter reportado o movimento à central mas afirmou que, a menos que ocupassem o asfalto, não havia problemas em tirar a roupa. Seu colega Silveira lamentou: “Pena que não mandam a gente acompanhar isso aí”. Ele também fez alguns comentários sobre os atributos de algumas participantes que eu não vou reproduzir em respeito à corporação e aos leitores, mas ele certamente não teve a mesma opinião de Vera.

Dois No Pants por ano

O flash mob No Pants originalmente foi criado em uma universidade do Texas em 1997. Mas o passeio no metrô foi o evento que chamou mais atenção da galera. Na primeira edição, em 2002, o grupo Improv Everywhere juntou apenas sete pessoas no metrô de Nova York, mas em 2009 esse número subiu para  
1.200 peladinhos. Em 2011 eram esperadas 3.500 pessoas só em NY, fora as outras 50 cidades que entraram na brincadeira pelo mundo.

O dia internacional em que se pratica o Dia Sem Calças é a primeira sexta de maio. Nessa data haverá outra mobilização. Se você está louco para tirar as calças e fingir que nada está contecendo, fique de olho em blogs e comunidades do orkut para se juntar aos outros flash mobbers!

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