Leonardo da Vinci pintou o rosto de Lisa Gherardini, “a Gioconda“, uma década antes de reproduzir o sorriso mais enigmático da história da arte, defendeu nesta quinta-feira (27) a Fundação Mona Lisa, com sede na Suíça e segundo a qual o famoso quadro exibido no Louvre é uma nova versão da apresentada hoje em Genebra e tida como a original.

 

Esta fundação foi criada no ano passado a pedido do consórcio particular proprietário da imagem, encarregado de provar com toda a evidência histórica e científica disponível se a “primeira versão”, como a chamam, foi também pintada pela mão esquerda de Leonardo.

Sua conclusão foi de que ambas as obras foram criadas em momentos e lugares diferentes para dois mecenas, mas pela mesma pessoa: o gênio do Renascimento.

A “primeira versão” foi conhecida por décadas como a Mona Lisa de Isleworth, em referência ao lugar onde vivia Hugh Blaker, o colecionador inglês que “a descobriu” pouco antes da Primeira Guerra Mundial.

Posteriormente, a obra foi adquirida pelo americano Henry F. Pulitzer, que se a deu à seu amada e, após sua morte, foi adquirida por um consórcio que a guardou em um banco suíço até 2003.

Segundo a teoria defendida hoje, Da Vinci começou a pintar por volta de 1503 o retrato de Lisa Gherardini a pedido do marido desta, o marchand florentino Francesco del Giocondo, mas deixou o quadro pela metade porque se viu obrigado a se mudar de Florença para Milão.

O fato de que o quadro esteja inacabado é um argumento usado para defender a autoria de Leonardo citando uma carta do cronista Giorgio Vasari, contemporâneo do artista, que dizia pelo menos duas vezes que a obra “estava inacabada”.

No entanto, a Gioconda estava finalizada em 1517, como o afirma outro cronista, Antonio Beatis, que lembra que a obra foi paga por Giuliano de Médicis.

A Mona Lisa admirada por milhares de turistas que diariamente a visitam no Louvre parece claramente “maior” que a “primeira versão”. A diferença de idade é outro dos argumentos para defender a obra, pois, segundo a fundação, se fosse uma cópia, quem a plagiou teria copiado exatamente a obra original.

O mesmo argumento é usado para o fato de que o bordado do vestido seja diferente, assim como o tamanho do quadro; que a base de uma obra seja um tecido, e a da outra madeira; e que na “versão original” não tenha sido usada a técnica de envernização da Gioconda, que só se desenvolveu a partir de 1508.

Outra razão alegada pela fundação para defender a “versão original” é de que Rafael pintou em 1504, após visitar Leonardo em seu estúdio, uma moça na mesma posição que a Gioconda, mas com um fundo muito mais parecido ao da “versão original” que o que se pode admirar no Louvre.

A fundação também contratou diversos especialistas que aplicaram as mais inovadoras técnicas ao comparar as duas obras.

“Baseando-me na experiência, não tenho nenhuma dúvida de que as duas pessoas retratadas são a mesma, com dez anos de diferença pelo menos”, afirmou Joe Lumis, legista especializado em imagens que trabalha regularmente com o FBI e que envelheceu digitalmente a imagem da “primeira versão”, e o resultado foi o rosto da admirada Mona Lisa.

Finalmente, a fundação lembrou que Leonardo fez mais de uma versão de vários de seus quadros, e citou, entre outros, o caso da “Virgem das Rochas“.

Todas estas provas foram compiladas em um livro de 320 páginas que também foi apresentado hoje e com o qual a fundação defenderá sua obra, que não foi avaliada porque “aparentemente” não há indícios de que o consórcio que a possui queira vendê-la. 

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