A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) anunciou nesta quinta-feira o lançamento de um estudo para a eventual construção de um novo colisor de hádrons que teria entre 80 e 100 quilômetros de circunferência e para o qual inclusive já tem um nome: Futuro Colisor Circular (FCC).

Durante o estudo serão exploradas as possibilidades concretas de construir tal equipamento em longo prazo, em substituição do Grande Colisor de Hàdrons (Large Hadron Collider – LHC), o experimento da CERN que ofereceu ao mundo o último grande avanço na compreensão da origem da massa das partículas elementares.

O LHC foi desligado há um ano para ser submetido a um complexo plano de manutenção técnica, após o que voltará a ser ligado ao longo de 2015 para funcionar a uma energia de colisão de 14 TeV (teraelétrons-volt).

Se considera que a esse nível de energia – em relação aos 8 TeV que tinha alcançado antes de ser desligado – poderá se confirmar com certeza científica o descobrimento do Bóson de Higgs e inclusive observar partículas não vistas até agora.

No entanto, a CERN já olha mais longe e decidiu lançar-se no estudo de um colisor de nova geração com a esperança “de alargar as fronteiras de nossos conhecimentos no âmbito da física de partículas”, segundo indicou hoje em comunicado.

A ideia da qual partem as altas instâncias da CERN é que esse novo colisor – de um tipo similar ao LHC – possa alcançar uma energia sem precedentes, da ordem dos 100 TeV.

O estudo para este novo experimento será organizado através de um programa de cinco anos de duração que começará em uma conferência internacional que acontecerá na próxima semana na Universidade de Genebra.

Este plano se incorporará ao estudo que por anos se realizou para o Colisor Linear Internacional (ILC), outro acelerador de partículas de 31 quilômetros de longitude cujo projeto foi apresentado em junho do ano passado.

Ambas opções concorrerão até que se determine qual delas é a mais apropriada para continuar avançando em questões como a compreensão do Bóson de Higgs, da matéria escura e da supersimetria.

Outro elemento essencial que se levará em conta será o custo de cada alternativa, com o que uma proposição clara deverá estar sobre a mesa por volta de 2018 ou 2019.

“Devemos plantar hoje as sementes que nos darão as tecnologias do futuro, a fim de estar prontos para tomar as decisões daqui a alguns anos”, explicou o diretor de Aceleradores e de Tecnologia do CERN, Frederick Bordry.

Embora pareça prematuro, experiências anteriores demonstraram que são necessários muitos anos de pesquisas e análises para decidir sobre a infraestrutura que requer o avanço da ciência.

O LHC, por exemplo, foi idealizado nos anos 80, mas não começou a funcionar antes de 25 anos mais tarde, e tem ainda 20 anos de operação pela frente.

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