Ela não tinha nenhum talento especial. Só sabia fazer desenho de bonequinhos de palito, até que um dia, caiu da escada, bateu a cabeça, sofreu uma lesão no cérebro e descobriu que acabara de se tornar uma excelente desenhista!

Pip Taylor, 49 anos, é de Merseyside, Reino Unido, e diz que sempre gostou de arte na escola, mas foi aconselhada a seguir outra profissão, já que seus “talentos” não estavam nessa área. No entanto, tudo mudou depois de sofrer o grave acidente doméstico, que parece ter acendido uma habilidade antes inimaginável.

“É simplesmente extraordinário e muito estranho, realmente. Eu sempre amei desenhar e, quando adolescente, tinha esperas de me tornar uma artista, mas sei que nunca fui boa. Eu costumava desenhar caricaturas e a única coisa boa que conseguia reproduzir era o Snoopy”, lembra em entrevista ao “Daily Mail”.

Segundo o jornal britânico, a mulher sofreu graves contusões no cérebro depois de tropeçar e cair uma escadaria em 2012. “Eu caí no topo de um lance de degraus de pedra e bati o lado direito da cabeça. Fui levada ao hospital de ambulância e fiquei algumas horas sem saber onde estava”, recorda.

Ela descobriu o novo dom quando estava em casa se recuperando do tombo. Pip decidiu pegar um lápis e começar a desenhar. Entre os rabiscos, sentiu que algo estava diferente. “Era mais natural e fiquei espantada com as imagens que eu podia desenhar. Minha irmã diz que quer levar uma pancada na cabeça também para ver que talento desenvolverá”, diverte-se.

Apesar de parece estranho, o desabrochar de um talento após um trauma no cérebro não é tão incomum e é conhecido como Síndrome de Savant Adquirida. Conforme alguns estudos, o efeito ocorre quando um dos lados do cérebro compensa o prejuízo do lado que sofreu a lesão.

O caso mais famoso é o de um adolescente de Denver, Colorado (EUA), que se tornou um gênio da música depois de bater a cabeça jogando lacrosse. Apesar de ser surdo antes do acidente e incapaz de ler partituras, mais tarde ele aprendeu sozinho a tocar 13 instrumentos diferentes.

“Os efeitos de uma lesão cerebral podem ser devastadores, mas em algumas ocasiões ocorre o contrário. Nós encorajamos as pessoas a experimentarem artes e ofícios, jardinagem, música e outras atividades que eles podem não ter tentado antes de sofrer o acidente. Embora cada parte do nosso cérebro seja responsável por uma área diferente, todas as partes estão interligadas”, explica Luke Griggs, porta-voz da At Headway, uma associação que trabalha na recuperação de pessoas que sofreram lesões cerebrais.

Veja alguns dos desenhos de Pip Taylor na galeria acima.

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