Aracoaraichnium leonardii

Aline Ghilardi/Divulgação Aracoaraichnium leonardii

Dois pequenos mamíferos que viveram há cerca de 140 milhões de anos onde hoje fica o interior de São Paulo foram descobertos recentemente por um grupo de paleontólogos da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

O  Brasilichnium saltatorium já havia ficado conhecido no ano passado, em artigo que saiu no Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.  Recentemente, porém,  na mesma publicação, o grupo que trabalha pesquisando rastros fossilizados, apresentou o Aracoaraichnium leonardii.

O bicho, do tamanho de um cachorro, é considerado grande para os padrões de mamíferos da época, como contou ao jornal O Globo, em reportagem de Cesar Baima, o professor do departamento de biologia e ecologia evolutiva da UFSCar e líder da pesquisa, Marcelo Adorna Fernandes.

“Coleto material nas pedreiras da região há décadas e nunca apareceram pegadas intermediárias”, diz. “Assim, o A. leonardii não deve ser uma forma ontogenética do B. saltatorium, isto é, uma versão adulta destes outros pequenos mamíferos”, afirma.

Segundo ele os dois supostamente eram animal de hábitos noturnos para bater de frente com os  dinossauros que também andavam por ali na região do Paleodeserto Botucatu.

Há 140 milhões de ano, esta região do interior de São Paulo estava no supercontinente Gondwana, quando o Brasil era colado com a África. O deserto, que hoje se tornou arenito e deu origem ao que é conhecido na geologia como Formação Botucatu, traz o registro de animais do passado pré-histórico.

Fora as pegadas e outras marcas de deslocamentos, os cientistas também podem encontrar “tocas, túneis, bioerosões, restos de ovos e ninhos, mordidas e fezes fossilizadas”, enumera a reportagem.  “Tudo isso pode nos dizer muito mais sobre estes ambientes e sua fauna do que as pessoas imaginam”, completa Marcelo.

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