Um grupo de especialistas convocado pelo Ministério da Indústria japonês começou a analisar como tratar adequadamente a água radioativa que se acumula na usina nuclear de Fukushima, informou nesta quinta-feira (26) o canal “NHK”.

O painel se centrará principalmente em analisar os desafios que implica administrar milhares de toneladas de líquido contaminado com trítio, o único isótopo radioativo que até agora não está sendo eliminado durante o tratamento da água.

Para limpar a água que se usa como refrigerador dos reatores, que se contamina ao entrar em contato com os núcleos parcialmente fundidos, a operadora da central emprega um mecanismo chamado Sistema Avançado de Processamento de Líquidos (ALPS), desenvolvido pela Toshiba.

O ALPS pode retirar 62 tipos de materiais radioativos, com exceção do trítio.

O grupo analisará o risco que representa armazenar água contaminada com este material e também o que implicaria despejá-la de maneira controlada ao mar, uma opção contemplada pela autoridade reguladora japonesa e pela própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Também estudará as dificuldades técnicas do desenvolvimento de tecnologias que permitam desprezar o trítio.

O painel, composto por nove especialistas em materiais radioativos, espera determinar quais são as opções mais viáveis em um relatório que espera ter compilado para o final de março.

Nas instalações de Fukushima existem mil tanques que armazenam água, alguns dos quais sofreram vazamentos graves, como o que aconteceu no ano passado, quando vazaram 300 toneladas de líquido muito radioativo, parte do qual foi parar no mar.

O governo estima que o volume de água contaminada armazenada em depósitos alcançará no futuro as 800 mil toneladas.

Controlar os vazamentos nessas cisternas e também do líquido contaminado que se acumula nos porões dos reatores representa o principal desafio para os 3.500 técnicos que trabalham na usina.

As emissões poluentes da central, afetada pelo terremoto e tsunami que devastou o nordeste do Japão em 11 de março de 2011, mantêm evacuadas mais de 52 mil pessoas que viviam perto da usina e afetaram gravemente a agricultura, a pecuária e a pesca local.

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