Protesto contra o aumento da passagem de ônibus

Protesto contra o aumento da passagem de ônibus

Um grupo de 700 manifestantes – segundo estimativa da PM – se reuniu para protestar contra o aumento da passagem de ônibus de São Paulo para três reais (R$3), nessa quinta (13). Depois de caminhar alguns quarteirões no centro da capital paulista, os manifestantes foram dispersados pela PM com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, e spray de pimenta, deixando dois feridos e 27 detidos.

Organizado pela internet por estudantes paulistanos que estão revoltados com o preço do transporte público, o ato contra o aumento juntou gente de todas as idades em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo às 17h. Depois de batucar, colocar o papo em dia e soltar alguns fogos que sobraram do ano novo, a turba começou a caminhada pelo centro.

Uma bateria turbinada com trompetes marcava o ritmo de gritos como “Aquele que não pula quer tarifa”, quando todos os manifestantes pulavam como se estivessem torcendo pelo seu time do coração. Mas a animação só pôde acontecer até a Avenida Ipiranga, onde a Polícia Militar dispersou os manifestantes com elastômeros (também conhecidas como balas de borracha), bombas de efeito moral e spray de pimenta.

O responsável pela operação, Tenente Siqueira, explicou que o objetivo era “dar segurança aos manifestantes para evitar que os mesmos sejam atropelados”. A explicação foi a mesma antes do início da caminhada e depois das agressões. Mesmo que a Av. Ipiranga já estivesse ocupada, e o fluxo desviado, os manifestantes foram impedidos de seguir com o protesto. Uma linha de policiais atirava na direção da multidão com escopetas de balas de borracha e bombas de efeito moral.

Depois de assistir a tudo isso da sacada de seu apartamento, Supla e seu irmão João Suplicy, falaram exclusivamente para o Virgula e criticaram a truculência. “Ridículo – começou Supla – não tinha a menor necessidade disso”. Comentando a dificuldade em pagar o preço atual da condução (coro acompanhado por João e pelos funcionários do prédio), Supla fez uma sugestão: “Deveriam canalizar essa energia para arrumar um preço melhor”, disse o cantor com seus cabelos descoloridos. João não poupou críticas à atuação da Polícia Militar: “Não precisava de violência, foi um absurdo”.

O prédio na esquina da Av. Ipiranga com a Av. São Luís tem a vista completamente aberta para toda a região da Praça da República, de onde os dois observaram. Dali, os manifestantes ainda caminhariam cerca de 5 quarteirões. Como previsto no roteiro apresentado pelo Tenente Siqueira, a dispersão aconteceria em frente à Câmara dos Vereadores. Mas “as coisas mudam”, como disse o próprio responsável depois de abrir fogo contra os manifestantes.

Só depois que a nuvem de gás lacrimogêneo dispersou na Av. São Luís conseguia-se perceber o estrago causado pelo enfrentamento. Nas galerias que desembocam na praça da Biblioteca Mário de Andrade, duas lojas tiveram vitrines apedrejadas. Por conta disso e do supedânio (cabine móvel individual da PM) que foi derrubado, 27 manifestantes foram encaminhados ao 3º DP até que um boletim de ocorrência seja redigido.

Segundo o delegado Heitor Peitl, há dois jovens que estão feridos e serão submetidos a exames de corpo de delito. Os demais manifestantes estão bem e não serão detidos, mas deverão pagar pelo menos R$3,00 para voltar para casa.

Atualização em 14/01 às 11:50:

O jornalista e cartunista Carlos Latuff publicou esse vídeo da truculência policial e deixou que a gente acrescentasse à matéria, dá uma olhada:

Estudantes reclamam do preço de ônibus e apanham em SP

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