Câmeras de circuito fechado registram o momento em que dois homens de uniforme descem de uma van branca, nas primeiras horas do dia, e se apropriam de um grafite do famoso artista plástico Banksy, intitulada “Mobile Lovers”. Eles removeram a madeira onde estava pintada a obra, que, por sua vez, estava grudada em uma porta. Isso aconteceu poucas horas depois de ter sido colocada lá, o que provocou uma grande polêmica – levando os autores da ação a receber ameaças de morte.

O grafite retrata um casal se abraçando enquanto confere a tela de seus smarthphones. Postada no site do artista, foi rapidamente descoberta grudada em uma porta na cidade de Bristol, na Inglaterra, e removida. Membros de um clube de apoio à juventude chamado Broad Plain e Riverside Youth Project assumem que retiraram a obra de seu local original. A tela agora está aberta a visitação mediante pequenas doações.

A entidade, que enfrenta dificuldades financeiras, tem planos para vender a obra por mais de 350 mil reais. O líder, Dennis Stinchcombe, de 58 anos, assinala que passou a receber várias ameaças, em mais de 40 telefonemas de militantes fanáticos da arte de rua. “As pessoas já disseram que vão vir aqui e fazer todo tipo de coisas desagradáveis conosco, até nos matar”, desabafa ao Daily Mail

Só que o líder jura que Banksy doou a obra para o clube. “Ele não pôde dar diretamente porque nossas portas estavam trancadas, então ele colocou o mais perto que podia”, assegura. Banksy, realmente, não costuma fazer obras em pedaços de madeira – estão sempre em paredes de modo que não possam ser tiradas.

Além disso, segundo bilhete fixado na porta onde estava o grafite, ao isolar a obra, também estão protegendo a peça de eventuais atos de vandalismo ou de avarias. “Precisamos desse dinheiro para continuar nossas atividades sociais e nosso apelo de angariação de fundos até agora só trouxe alguns milhares de libras”, conta.

Alison Bevan, diretor do Royal West of England Academy, a primeira galeria de arte de Bristol, descreveu a peça como “brilhante”. “Eu acho que o fato de que foi pregada na parede torna a obra extremamente portátil”. Ele assinala ainda que ter chegado a uma organização como esta, que apoia a comunidade local, é melhor do que se fosse direto para algum colecionador rico. 

Um porta-voz da polícia disse que as autoridades não estão investigando a remoção da obra de arte porque não receberam nenhuma denúncia.

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