Um grupo de mulheres que se autodenominam “sluts” sairá às ruas neste sábado em Austin, no Texas, vestidas de maneira provocativa para protestar contra a ideia de que as mulheres que sofreram um ataque sexual o provocaram de alguma maneira.

O protesto se soma a outro realizado em abril quando três mil pessoas marcharam em Toronto, no Canadá, e que posteriormente teve réplicas no Brasil e no Reino Unido, segundo as organizadoras.

A palavra “slut”, em inglês, significa vulgar, mas também é utilizada para se referir de maneira depreciativa a uma mulher promíscua. As mulheres decidiram adotar o termo para protestar contra um comentário sobre assédio sexual feito por Michael Sanguinetti, um policial de Toronto.

Sanguinetti disse que para sofrer esses ataques “as mulheres deveriam evitar se vestir como ‘sluts”. E, mesmo que tenha pedido desculpas depois, a noção que as mulheres provocam o estupro gerou um protesto de rápida propagação na internet.

Já foram programadas manifestações em Chicago, Filadélfia, Reno e, segundo as organizadoras, duas mil pessoas já prometeram participar dos protestos do dia 19 de junho em Seattle.

“Esse não foi um comentário isolado”, disse a co-fundadora da SlutWalk em Toronto, Heather Jarvis, durante uma entrevista à rádio NPR, lembrando que “essa ideia que, de forma alguma, as vítimas de um ataque sexual fizeram algo para atraí-lo é muito comum”, ressaltou.

Nas passeatas já realizadas muitas das manifestantes desfilaram de biquíni, com palavras de ordem pintadas sobre seus corpos. “Nós não dizemos às pessoas como elas devem se vestir”, comentou Heather.

Segundo Anna Fry, uma das organizadoras do protesto de Austin, “palavras como “slut” são muito poderosas e destroem a credibilidade das vítimas”, disse. No ano passado, foram denunciados nos Estados Unidos cerca 89 mil casos de ataque sexual, segundo as estatísticas do Departamento de Justiça.

Na era de internet, a iniciativa SlutWalk logo recebeu críticas. O grupo precisou tirar de sua página no Facebook vários “comentários inapropriados” e insultos variados.

Além disso, um grupo contrário às “sluts” anunciou que organizaria a “marcha dos cafetões”.

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