Uma mulher com órgãos sexuais masculinos e femininos viveu como um homem por mais de 40 anos porque seus pais não lhe disseram que ela nasceu hermafrodita. Natural de Lancashire, na Inglaterra, ela ficou sem saber a verdade até os 19 anos.  

Caroline Kinsey passou por uma cirurgia quando criança e foi criada como Carl John Baker. Depois de anos sofrendo bullying na escola e se sentindo diferente, finalmente ela soube que era hermafrodita, mas continuou sendo um homem. 

Após um casamento curto e fracassado, que a levou à depressão, Caroline decidiu – dois anos atrás, aos 41 anos – se vestir como uma mulher e assumiu sua “persona feminina”. “Sempre soube que era diferente, mas nunca conseguia descobrir o motivo. Um médico disse à minha mãe que seria mais fácil esconder minha genitália feminina que a masculina. Meus pais foram aconselhados a manter segredo por quanto tempo fosse possível”, contou ela ao “Daily Mail”

 

Caroline conta que achava sua voz muito feminina, mas nunca tinha ouvido dizer que era diferente das outras pessoas. Ela conta que ao chegar em idade escolar, as diferenças foram se tornando mais evidentes. “Não me encaixava lá. Os meninos me chamavam por nomes horríveis e as meninas me achavam estranho. Foi um período muito difícil para mim e eu nunca tinha namoradas”, lembra. 

Quando a mãe decidiu contar sobre seu nascimento e sua condição, tudo fez sentido para Caroline, no entanto, ela demorou anos para decidir se vestir como mulher. “No começo foi muito estranho, mas rapidamente percebi que era o certo a fazer. Eu cresci como um menino, mas não me sentia bem em roupas de homens. O primeiro vestido que usei era rosa e eu me sinto mais feliz do que nunca agora. Sinto-me saudável e nem sequer olho para meu passado, porque eu não quero lembrar”. 

Ela agora quer fazer uma cirurgia para remover a genitália masculina e poder viver como uma mulher completa. Segundo informações do “Daily Mail“, ativistas de grupos intersexuais afirmam existir muitos mal-entendidos entre ser intersexual e transexual.

“A discriminação contra pessoas nessa condição vem de gerações que foram obrigadas a se manter em segredo. Os gays estão agora, com razão, sendo aceitos na sociedade e tem o direito de viver como parte da comunidade. Pessoas intersexo também merecem os mesmos direitos”, conclui o doutor Jay Hayes-Light, diretor da UK Intersex Association. 

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