Por meio de uma transmissão de rádio crepitante, um náufrago disse pela primeira vez como foram os incríveis 16 meses que ficou à deriva em um pequeno barco no Oceano Pacífico até ser encontrado num pequeno atol e levado de barco para o principal porto das isoladas Ilhas Marshall. Falando brevemente ao MailOnline, contou que, para sobreviver, comeu peixe cru e bebeu sangue de tartaruga para matar a sede quando não tinha chuva.

José Ivan também falou de sua ansiedade para se reunir com sua família. “Eu só quero voltar para casa, no México, mas eu nem sei onde estou”, disse ele, com a voz cheia de emoção. Só que o pescador ainda vai ter de esperar, já que o único avião da companhia aérea do governo que pode pousar na região está em manutenção e só deve ficar pronto na terça-feira (4). As autoridades estão considerando a possibilidade de enviar um barco para resgatar o sobrevivente.

De acordo com José, foi mais de um ano à deriva pelas águas traiçoeiras do Pacífico depois de seu pequeno barco quebrar, quando ele e um colega estavam na costa do México. O companheiro de Ivan morreu há vários meses.

“Partimos para pescar tubarão”, disse em Majuro, capital da Ilha Marshall. O seu pequeno barco enfrentou problemas no motor e as correntes acabaram carregando a embarcação para o oceano. Apesar de suas tentativas de chamar a atenção de outras embarcações, eles continuaram à deriva e foi então que as semanas e os meses se arrastaram em uma luta para sobreviver a cada minuto.

José contou que os nativos o encontraram desesperado e exausto em um atol da região. Ao ser resgatado, foi alimentado, tomou água e descansou seu corpo magro em uma cama. Autoridades em Majuro disseram que, apesar de todo o cuidado do povo do atol, o homem ainda está com a saúde debilitada.

As Ilhas Marshall, no Pacífico Norte, são o lar de 60 mil pessoas distribuídas por 24 atóis, a maioria com média de apenas dois metros acima do nível do mar. O Atol do Ébano, onde o homem foi encontrado, é o mais meridional dos atóis do arquipélago, com uma população de pouco mais de 700 pessoas, a cerca de 230 quilômetros de Majuro.

Acredita-se que apenas “a sorte das correntes” pode explicar como o pescador com seu barco de fibra de vidro foi lançado a essa estreita faixa de terra. Foi por acaso que dois aldeões viram o homem e responderam ao seu acenar desesperado. Com dificuldades para ficar de pé, de acordo com os nativos, José era uma figura com uma longa barba e cabelo despenteado.

Um pequeno barco o levou a outra parte do grupo de atóis onde o prefeito, Ione de Brum, usou o telefone para se comunicar com o Ministério dos Negócios Estrangeiros das Ilhas Marshall, que acabou por tornar a sua existência conhecida para o mundo.

Histórias de sobrevivência no vasto Pacífico não são incomuns. Em 2006, três pescadores mexicanos viraram manchete internacional quando foram descobertos à deriva, também em um pequeno barco de fibra de vidro perto das Ilhas Marshall, nove meses depois de sair em uma expedição. Eles sobreviveram com uma dieta de água da chuva, peixe cru e aves marinhas, com sua esperança mantida viva através da leitura da Bíblia. E, em 1992, dois pescadores de Kiribati ficaram no mar por 177 dias antes de chegar em Samoa.

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