A Polícia de Islamabad, capital do Paquistão, descobriu que o suposto suicídio de uma jovem de 19 anos foi na realidade um “crime de honra” cometido pelas mãos da própria família da jovem, afirmou nesta terça-feira (21) à “Agência Efe” uma fonte policial.

“Prendemos e acusamos pelo assassinato o pai, mais três irmãos e um tio da jovem”, precisou Mohammed Khalid, delegado de um distrito próximo ao bairro de Bari Imame, onde os fatos ocorreram no último dia 12.

“Aparentemente, a jovem tinha uma relação não consentida pela família e acabou sendo assassinada para que a honra da mesma não ficasse manchada. Ela foi estrangulada e, posteriormente, posta em posição de suicídio para disfarçar o crime”, relatou Khalid.

Segundo o jornal local “Dawn”, foi o tio da jovem que informou à polícia sobre o suicídio e, quando os agentes apareceram no local, o corpo já havia sido limpo e preparado para ser enterrado.

Os parentes disseram que a jovem tinha se enforcado e que não havia “nada suspeito” no incidente, embora a Polícia tenha constatado que a roupa que a mesma vestia no momento de morrer havia sido lavada. Após as suspeitas, os agentes ordenaram a realização de uma autópsia.

O exame legista, segundo o jornal citado, revelou que a jovem estava grávida de quatro meses, além de diversas evidências de que a morte tinha sido fruto de um homicídio violento e não de um suicídio.

Nos interrogatórios posteriores, vizinhos da família revelaram que a jovem tinha uma relação com um morador da região três anos mais jovem que ela e que, após descobrir o romance, sua família tentou casá-la, mas a família do namorado negou a união.

Após passar alguns dias fora de casa, a jovem voltou ao seu lar, onde foi assassinada no dia seguinte.

Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), mil mulheres – 100 delas menores – morreram no último ano no país em crimes similares, embora o organismo alerta que o número pode ser maior porque muitos casos passam despercebidos.

A maioria das vítimas, mais de 600, foram assassinadas após serem acusadas – a maioria sem provas – de manter relações sexuais fora do casamento, sendo que outras 200 morreram por terem se casado sem o consentimento familiar. 

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