Os tatus gigantes viveram na América do Sul por milhões de anos, até cerca de 10 mil anos atrás, e fazem parte da Megafauna, a qual pertencem outros animais gigantes como o mastodonte e a preguiça gigante. Um professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Francisco Buchmann, descobriu mais de 60 túneis escavados por tatus gigantes que viveram na América do Sul entre cerca de 10 milhões e 10 mil anos atrás aproximadamente.

Segundo o estudo, estes túneis, chamados de “paleotocas”, podem revelar o comportamento desses animais e o ambiente em que viviam. A maior concentração está no município de Novo Hamburgo (RS). Os tatus gigantes chegavam a 250 quilos de peso e, durante os milhões de anos em que habitaram a Terra, havia vários gêneros e muitas espécies, como o Panochthu, o Pampatherium e o Propraopus grandis.

O que faz da descoberta do professor da Unesp peculiar é que, geralmente, esses túneis são encontrados totalmente preenchidos pela lama de enxurradas de chuva sedimentada ao longo de milhares de anos e recebem o nome de crotovinas. Só que estes estão desobstruídos e com marcas das garras e da carapaça do animal que os escavou.

Com as chamadas “paleotocas”, os pesquisadores podem descobrir o que não dá para saber analisando apenas os ossos fossilizados. É a chamada Icnologia, que estuda a feição deixada por animais extintos. “A paleotoca permite estudar quais eram os hábitos dos tatus gigantes”, explica Buchmann.

A maioria das paleotocas e crotovinas foi encontrada à beira de rodovias, em várias cidades no leste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Buchmann e seus colegas vêm discutindo que espécie de tatu escavou todas essas tocas no sul do Brasil. Até agora, as evidências sugerem que o escavador foi um tatu dos gêneros extintos Propraopus ou Eutatus.

Recentemente, em palestra em Belo Horizonte, o professor Buchmann, que atualmente mantém o Projeto Paleotocas, afirmou que, na Serra de Gandarela, em Minas Gerais, também existem paleotocas. No entanto, ambientalistas que defendem a criação de um parque afirmam, no site da ONG Águas do Gandarela, que a descoberta entra em conflito com interesses de uma grande mineradora que tenta licenciar uma mina (Apolo) no local e, por isso, não recebeu a atenção merecida das autoridades.

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