A Anistia Internacional, organização que busca justiça, previne e denuncia abusos aos direitos humanos, condenou nessa quarta (26) a repressão contra manifestantes egípcios. “Protestos contra a miséria, abuso policial e corrupção” são reprimidos com violência mas continuam a acontecer por todo o país.

Os egípcios estão promovendo seguidas manifestações para derrubar o presidente Hosni Mubarak, que está no poder há mais de 29 anos. Os protestos dos dias 25 e 26 no Cairo, Alexandria e diversas outras cidades já acumularam três mortos, além de relatos de balas de borracha, gas lacrimogêneo, espancamentos e pelo menos 500 presos.

A escalada de violência levou manifestantes a se encurralarem dentro de estações de metrô, que acabaram destruídas. Veículos e prédios do governo viraram alvo de incêndios.

Internet e a revolução no Egito

As principais manifestações aconteceram na terça, e já são chamadas de Dia de Fúria, ou #25jan, em algumas redes sociais na internet.

A transmissão das manifestações da terça-feira fizeram com que o governo egípcio censurasse sites como o Bambuser, que serve para compartilhamento de vídeos.

A Rede Árabe pelo Direito à Informação divulgou que os sites de notícia Dostor e Badil também foram censurados por transmitirem manifestações ao vivo.

Twitter e Facebook também ficaram bloqueados para os egípcios, mas a galera não deixou quieto e conseguiu burlar, postando tudo o que acontece em tempo real.

“Ontem todos éramos tunisianos, hoje todos somos egípcios e amanhã todos seremos livres”, era uma das frases mais tuitadas, segundo apuração da agência EFE. Hoje o Top Tweet é “Mubarak tomou o Twitter, e nós tomamos as ruas. Troca justa”. Outro Top Tweet mostra a imagem de Cairo acima, que reuniu dezenas de milhares de pessoas na noite de terça.

A censura pegou até jornalistas e fotógrafos gringos que estavam por lá. O Washington Post conta mais sobre o caso.

Tunísia fazendo escola

Além de ser ano eleitoral no Egito, um dos principais motivos para a eclosão dessa pequena revolução egípcia é o exemplo dado pela Tunísia. Em dezembro e janeiro os tunisianos saíam às ruas exigindo a renúncia do presidente Zine el Abidine Ben Ali.

Desde 1987 no poder, o ditador tunisiano acabou fugindo do país em 14 de janeiro, quase um mês depois que Sidi Bouzid, um jovem comerciante, ateou fogo no próprio corpo. Bourzid, com ensino superior completo mas desempregado, morreu no hospital no dia 4.

Agora até a Interpol está atrás do presidente fujão Ben Ali. Tudo isso por causa das manifestações que foram batizadas de Revolução Jasmim e prometem ser um incentivo para o fim de outras ditaduras do mundo árabe.

Vale dar uma olhada no álbum de fotos no Big Picture dos nossos amigos do Boston.com.

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