O telescópio espacial Hubble descobriu por acaso uma nova lua ao redor de Plutão enquanto realizava observações em busca de anéis no planeta anão, informou a Nasa (agência espacial americana) nesta quarta-feira.

Com um diâmetro estimado em entre 13 e 34 quilômetros, o novo satélite, que será designado temporariamente como P4, é a menor das quatro luas descobertas até agora ao redor de Plutão.

Caronte é a maior, com 1.043 quilômetros de diâmetro enquanto Nix e Hydra, estão na categoria entre 32 e 113 quilômetros.

O diretor do programa de observação do Hubble, o professor Mark Showalter do Instituto Seti em Mountain View (Califórnia), relatou em comunicado que as câmeras do Hubble permitiram aos astrônomos detectar “claramente” o objeto a partir de uma distância de mais de 5 milhões de quilômetros.

A descoberta é o resultado das operações realizadas para apoiar a expedição da sonda New Horizons, que a Nasa lançou em 2006 e está programada para chegar ao sistema de Plutão em 2015.

Plutão é um dos corpos do sistema solar mais difícil de fotografar devido a sua distância e ao seu tamanho reduzido, e apesar de ter deixado de ser o nono planeta do Sistema Solar em agosto de 2006, para entrar nessa nova categoria de planeta anão, não deixou de despertar a atenção de cientistas e astrônomos.

O principal pesquisador do programa “New Horizons”, Alan Stern, do Southwest Research Institute em Boulder (Colorado), afirmou que a descoberta é “fantástica” porque a partir dela será possível planejar observações para seu estudo durante o sobrevoo que a sonda fará em 2015.

A nova lua se encontra entre as órbitas de Nix e Hydra, que também foram descobertas pelo Hubble em 2005, enquanto Caronte foi detectada em 1978 no Observatório Naval dos Estados Unidos, mas foi o Hubble que descobriu que era um satélite de Plutão, em 1990.

Os cientistas acreditam que o sistema de luas do planeta anão se formou por uma colisão entre Plutão e outro corpo planetário no início da história do Sistema Solar e o material expelido se transformou no grupo de satélites que orbitam a seu ao redor.

O diretor da divisão astrofísica da Nasa em Washington, Jon Morse, destacou a importância da descoberta, que considerou “um poderoso lembrete” da capacidade do Hubble “para fazer surpreendentes achados, não planejados”.

O satélite P4 foi visto pela primeira vez em uma fotografia tirada pela Wide Field Camera (WFC) em 28 de junho e se confirmou nas seguintes imagens tomadas em 3 e 18 de julho.

A Nasa explicou que a lua não foi observada em imagens anteriores capturadas pelo Hubble porque os tempos de exposição da câmera foram mais curtos. Além disso, os cientistas acreditam que pode ser que o P4 seja uma “mancha muito tênue” que apareceu em algumas imagens de 2006, mas muito escuras para chamarem a atenção.

O Hubble, lançado em 1990, é um projeto de cooperação internacional entre a Nasa e a Agência Espacial Europeia.

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