A poderosa editora de moda norte-americana Diana Vreeland (1903-1989) uma vez disse sobre o biquíni: “é a invenção mais importante deste século (20), depois da bomba atômica”. Para ela, uma mulher usando um biquíni provocava o mesmo efeito de uma bomba atômica. Pode ser que a peça não tenha todo esse impacto devastador, mas é certo que a moda praia nunca mais foi a mesma desde que o biquíni foi inventado.

Tudo começou no final do século 18, quando o ato de banhar-se em rios ou praias tornou-se uma atividade social. As mulheres, no entanto, só começaram a aderir ao novo costume em 1822 e, evidentemente, vestidas da cabeça aos pés. Por um bom tempo, os trajes usados por elas eram tão recatados e cheios de tecido que ficavam extremamente pesados ao entrar em contato com a água.

Só a partir de 1930 as coisas começaram a mudar um pouco e algumas mulheres mais “ousadas” passaram a usar peças únicas, que mostravam parte das pernas e braços. 

Em 1946, o francês Louis Réard mudou a história da moda praia e de quebra deu uma mãozinha na liberação sexual que mais tarde as mulheres viriam a conquistar. Naquele ano, militares americanos desocuparam a área do Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall, Micronésia, para realizar testes com bombas nucleares. Emprestando uma das palavras mais em voga na época, nascia o biquíni.

Obviamente a introdução da peça na sociedade não foi algo tão simples. As pessoas ficaram tão escandalizadas com o biquíni, que era difícil encontrar modelos que quisessem ser fotografadas com o traje. Foi a stripper Micheline Bernardini a primeira mulher da história a vestir a peça ao desfilar na borda de uma piscina pública de Paris, no dia 5 de julho de 1946. 

O lançamento foi tão bombástico (Diana Vreeland estava mesmo certa!) que a peça foi condenada pelo Papa Pio XII no final da Segunda Guerra Mundial, por ser contra os padrões seguidos pela Igreja Católica.

No Brasil, os biquínis começaram a ser vistos nos anos 50, mas apenas as vedetes do rebolado ousavam usar as peças. Beldades como Elvira Pagã, Virgínia Lane Carmem Verônica e Norma Tamar atraiam todas as atenções para si ao usarem a extravagante peça nas praias cariocas.          

Foi graças a Hollywood que as mulheres comuns de todo mundo tomaram coragem para aderir à novidade. As estrelas de cinema foram as maiores incentivadoras do uso do biquíni e foi na pele da francesa Brigitte Bardot, no filme E Deus Criou a Mulher (anos 50) que a peça começou a se tornar realmente conhecida. Ela foi a primeira mulher a usar uma peça que mostrava o umbigo em um filme.

Entrava então em cena a liberdade sexual feminina nos anos 60. Nessa época, a atriz Ursula Andress usando um biquíni permeou os pensamentos de todos os homens depois de surgir no filme 007 contra o Satânico Dr. No. Depois disso, a peça conquistou as mulheres que começaram a usá-la como forma de se estabelecerem como seres livres e com os mesmos direitos dos homens.

Mesmo com a repercussão da peça, no Brasil dos anos 60 o biquíni seguia sendo taxado como uma roupa usada por mulheres “indecentes”. Tanto que em 1961 o então presidente Jânio Quadros chegou a proibir o uso da peça nas praias brasileiras. Já em 1962, usando um modelo até bastante comportado, Helô Pinheiro inspirou Tom Jobim e Vinícius de Moraes a criarem a canção Garota de IpanemaLeila Diniz também entrou para a história ao ser fotografada usando a roupa de banho grávida de sete meses nos anos 70. A imagem se tornou símbolo da liberação feminina no Brasil.

De lá para cá, vários modelos de biquíni entraram na moda, saíram de circulação e voltaram aos holofotes. Veja na galeria acima alguns dos modelitos que já foram usados pelas mulheres ao longo dos anos!



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