Gisele Bündchen em desfile da Colcci

A gaúcha Pavla Fabris – o nome diferente é russo! – estava toda feliz tomando uma Coca-Cola em um dos backstages do São Paulo Fashion Week enquanto três pessoas faziam babyliss em seu cabelo, uma quarta dava as instruções do penteado e a repórter aqui tirava fotos. Depois ainda tinha maquiagem, ensaio, troca de roupa e só dali três horas, no mínimo, ela finalmente ia desfilar.

Pavla no SPFW

Virgula Pavla no SPFW

Chateada com tanta espera ou trabalho? Que nada. Toda sorridente, ela contou que tem 17 anos, veio para São Paulo há três meses ser modelo e se preparava para seu segundo desfile na maior semana de moda do País. “Estou adorando aqui e tenho feito alguns trabalhos. Ainda não tem data, mas até o fim do ano acho que devo viajar para fora do País”, disse, empolgada.

A Pavla faz parte do grande número de new faces – meninas novinhas que estão começando na carreira – que toda temporada marcam presença em eventos como o SPFW. Nós desejamos toda a sorte para elas, mas se realmente vão viver da moda, carimbar o passaporte e se mudar de mala e cuia para Nova York é outra história. “O rodízio de new faces é bem grande. Algumas meninas tem mais atitude, personalidade e emplacam logo de cara. Outras demoram para amadurecer. Elas são novas e mudam muito neste período. Sempre dizemos que dois anos é o tempo médio para saber se elas vão ou não evoluir na carreira”, explica Fernando Herbert, coordenador do departamento fashion da Joy Model.

Algumas têm o talento natural para a coisa, outras precisam de mais treinamento técnico. Aulas de como se vestir, se portar, o que falar é praxe em qualquer agência. Manter as medidas, aprender a chegar no horário e trabalhar bem em equipe também são exigências certas. Assim como gerenciar bem suas redes sociais, já que número de seguidores é critério de escolha para os clientes. Engana-se quem pensa que para ser modelo precisa só nascer alta e magra.

O booker da Ford Models Rodrigo Toigo viaja o País há anos procurando meninas promissoras. Passa horas sentado em praças de alimentação de shopping e já achou inclusive uma new face em uma comunidade que só falava alemão no Rio Grande do Sul. Ela trabalhou uma temporada em São Paulo, não aguentou a pressão e decidiu voltar para casa. Isso acontece demais e para evitar tantas frustações, ele tenta ser certeiro nas garotas que aborda.

“Só abordo quem realmente percebo que pode ir para o mercado internacional. Se a menina tem só o perfil de modelo e imagino que terá que passar por muitos ajustes, nem abordo. A maioria delas não aguenta lidar com a ansiedade de todas as mudanças que vai ter dali em diante”, explica Rodrigo.

Modelos new faces no SPFW

Reprodução FFW Modelos new faces no SPFW

Para aquelas que aguentam o tranco, trabalhar fora do País é o principal sinal de que a carreira está deslanchando. Mas o que tanto Nova York, Tóquio e Paris têm de atrativo? “Não adianta, o Brasil ainda vive muito do reflexo internacional na moda. Desfiles funcionam como impulsionadores e quando elas se dão bem nas temporadas lá fora, voltam consagradas. Aí sim o mercado nacional passa a reconhecer”, conta Fernando.

A partir daí, elas começam a escalar os degraus como modelos profissionais. Muitas se mudam para outro país e passam a viver por temporadas em lugares diferentes. São centenas de brasileiras trabalhando como modelo pelo mundo, mas com certeza você conhece pouquíssimas. O motivo disso? A moda é como o futebol e a maioria das carreiras também. Tem uma estrela a cada um milhão. Temos um Neymar e uma Gisele Bündchen. Mas, apesar de ser um setor que trabalha tanto com imagem, não ser “famosa” não quer dizer que a menina que saiu de casa novinha não deu “certo”.

“O que é dar certo? Se for ser famosa, realmente são pouquíssimas. Mas se for ter uma profissão que garante uma vida ótima ganhando salários que quase nenhum profissional na idade delas ganha, então grande parte deu certo”, comenta Fernando.

A modelo Barbara Berger

Reprodução Barbara Berger

Mas exatamente quanto elas ganham? Presta atenção, porque as cifras chegam a milhões. O SINPROMODEL é um sindicato autônomo que criou uma tabela de preços por trabalhos, mas a maioria dos cachês são negociados individualmente e os valores variam bastante. Mas, para começar, nenhuma modelo iniciante de agências sérias trabalha por menos de R$ 800. Este é o piso para um desfile. Um sessão de foto em que trabalham umas 12 horas, elas lucram em torno de R$3 mil.

Depois das new faces, vem os salários das garotas chamadas de mais “experientes”. Elas tem uma bagagem bacana na carreira, trabalham muito, tem estabilidade, mas não “bombam” mais. Caso da Barbara Berger, por exemplo, que faz muito editorial para revista. Elas ganham entre R$2 mil e R$6 mil por desfile. Sessão de fotos e comercial têm salários bem maiores. “Por mês, elas tiram entre R$80 mil e R$100 mil”, explica Rodrigo Toigo.

No próximo degrau na escada do sucesso fashion, estão as new tops. São meninas relativamente jovens no mercado, mas que estão estouradas. São as que mais desfilam, queridinhas de campanhas de grifes famosas e disputadas no mercado brasileiro. Neste patamar, está a angel Lais Ribeiro e a badalada Waleska Gorczevski. Desde que começou, ela é recordista de desfiles nas semanas do mundo todo. Em dois anos, foram 220 entradas na passarela somente para marcas importantes, como Chanel, Dior e Calvin Klein. Em cada um destes trabalhos, ganham entre R$5 mil e R$ 10 mil. O salário aumenta bastante quando fecham campanhas exclusivas com clientes grandes e podem ter um saldo positivo de até R$ 3 milhões por ano.

Agora é a vez das tops, que são as modelos famosas no mundo fashion e comercial. Isabeli Fontana, que esteve no SPFW como exclusiva da Riachuelo, ganha entre R$10 mil e R$20 mil por desfile. Já emcampanhas publicitárias, o valor ultrapassa os R$200 mil.

Agora, a nossa musa Gisele Bündchen já é outro patamar. A única übermodel do mundo só fecha contratos milionários. Quem pode, pode!

Isabeli Fontana no SPFW

Reprodução Isabeli Fontana no SPFW

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