Não é novidade que muitas pessoas vêm recorrendo às cirurgias plásticas para realizar mudanças na aparência, e não apenas entre o público feminino. A procura crescente dos homens por intervenções estéticas nas últimas três décadas revelam que eles também resolveram correr atrás do prejuízo e dar um up na aparência.

Para saber mais sobre o assunto, o Virgula Lifestyle conversou com o top cirurgião André Finger, associado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Veja abaixo!

Virgula Lifestyle: Qual é o perfil de homem que procura essas intervenções?

Dr. André Finger: Há basicamente três perfis:

a) O homem executivo que busca uma boa aparência para ser mais bem sucedido nos negócios. Também, há mais ou menos 2 ou 3 décadas, teve início a propagação da ideia de “marketing”, de quem tem boa aparência fecha mais negócios, não só fisicamente, mas também nas roupas, cabelo, etc. No mercado de trabalho a boa aparência se tornou um quesito indispensável. Até os políticos abraçaram a causa e procuram fazer retoques cirúrgicos faciais em períodos pré-eleições. A adoção dos photoshops nas propagandas politicas é uma prova disso.

b) Outro tipo de homem que busca muito a cirurgia plástica nos dias de hoje é o da quinta e sexta décadas de vida, que rompe um casamento e parte para novas relações com mulheres mais jovens. Este público da cirurgia plástica não quer apenas atrair essas mulheres pela condição financeira, mas também pela aparência física corporal e facial. Estão competindo tanto com outros homens da sua faixa etária, como também com homens bem mais jovens que já possuem, pela idade, um melhor físico.

c) E ainda há o perfil do homem jovem, vaidoso, metrossexual ou gay, que busca a cirurgia plástica como recurso para ficar esteticamente da melhor forma possível. São os homens que fazem esportes, academia, usam suplementos e todos recursos para ficarem, como dizem “sarados”. Eles querem uma boa aparência para si mesmos, para se olharem no espelho, sozinhos, e se admirarem. Gostam de se sentir atraentes, “boa pinta”, até mesmo para outros homens do seu grupo.

Quais são as cirurgias e intervenções mais procuradas pela população masculina?

Homens na segunda década de vida: otoplastia (orelha em abano), rinoplastia (nariz) e ginecomastia (ressecção da glândula mamária no caso de crescimento da mesma). Uma observação é a de que a rinoplastia é uma cirurgia cada vez menos procurada, pois nos conceitos atuais, o nariz grande no homem sugere masculinidade e força.

Zac Efron fez rinoplastica no início de sua carreira

Homens na terceira e quarta décadas de vida: procuram muito a lipoaspiração e se atrevem a implantes de próteses de silicone. Os “moderninhos”, metrossexuais, que se enquadram no perfil 3, fazem implantes de próteses de peitoral masculina e de bíceps (essa é mais comum nos EUA e menos frequente no Brasil). Já o público gay desta faixa etária ainda recorre a implantes de próteses glúteas, com a intenção de um glúteo másculo e não feminino.

Homens da quinta e sexta década de vida: lançam mão das intervenções de rejuvenescimento facial: liftingfaces, plástica de pálpebras e o implante de cabelo, que esta virando uma “mania” no Brasil entre homens dessa faixa etária.

Os homens tendem a procurar por intervenções pequenas, que não alterem muito a sua aparência ou eles tendem a fazer grandes transformações?

Isso depende muito do perfil de cada um. Há os mais ousados, que fazem plásticas panfaciais e querem um rejuvenescimento de toda face, até do pescoço, pois tem coragem para isto. E há aqueles que se limitam a pequenas intervenções, não pelo medo do resultado, e sim pelo medo da cirurgia em si e anestesias mais longas.

Também vale para as intervenções corporais, pois os mais corajosos fazem grandes intervenções no corpo, como abdominoplastias e lifting de coxa. Essa escolha pelo porte cirúrgico maior ou menor realmente depende mais da coragem de se submeter a uma cirurgia, devido às possíveis suas complicações, do que do medo dos resultados.

Quando eles vão fazer as intervenções, eles fazem uma por vez, ou aproveitam uma mesma vez para realizar mais de uma?

Também depende de cada um. Há os que começam com pequenos procedimentos, até mesmo pela insegurança do que pode resultar, e depois que sentem os benefícios e o sucesso do tratamento, vão aumentando a quantidade e o porte das cirurgias. Já existem aqueles que não pensam muito e “se jogam” na mesa de cirurgia meio com o pensamento “seja o que Deus quiser”.

Existe algum tipo de cirurgia que você não recomenda?

Não gosto dos resultados que ficam “artificiais“, tanto para intervenções faciais, quanto corporais. Não gosto quase nunca do que vejo nos resultado de implantes de cabelo, dificilmente vejo um que fica natural. Sou mais adepto a uma calvície por considerar natural e máscula, do que um implante com aspecto de “plantação de milho”.

O ator John Travolta foi um dos que apostaram no implante de cabelo. 

Também acho que as rinoplastias não devem ser radicais e diminuir o tamanho do nariz. Sou da opinião que nariz grande é símbolo de masculinidade, de identidade e impõe respeito. Óbvio que os homens não precisam ficar com narizes aduncos (pontas caídas), o que lhes confere um aspecto envelhecido, e nem dorsos demasiados grandes, o que lhes deixa com um aspecto “feio”.

Nas cirurgias de rejuvenescimento facial, os liftingfaces, não sugiro aos homens a suspensão do supercílio (sobrancelhas), pois costuma descaracterizar a masculinidade, e pode promover um aspecto afeminado. A sobrancelha levemente caída é símbolo de “macho”, diferente das mulheres, que mesmo à partir da sexta década de vida, podem ter na fisionomia facial as sobrancelhas mais elevadas.

Quanto as intervenções corporais, também acho que os homens não devem partir para intervenções que deixam extensas cicatrizes. Elas ainda não são bem recebidas pelo público feminino, salvo exceção dos pacientes ex-obesos, que após as cirurgias bariátricas e grande redução de peso, acabam precisando de grandes intervenções no corpo, que deixam cicatrizes. Peles flácidas, caídas, “pelancas” ainda repelem mais as mulheres do que as cicatrizes.

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