Chitãozinho & Xororó

Divulgação Chitãozinho & Xororó

Chitãozinho e Xororó estão lançando o DVD Elas em Evidências. Gravado no KM de Vantagens Hall, no dia 4 de outubro, no Rio de Janeiro, o trabalho, como o nome diz, destaca as mulheres.

Simone & Simaria, Maiara e Maraísa, Paula Fernandes, Anavitória, Marília Mendonça, Bruna Viola, Kell Smith, Ana Clara, Tânia Mara e a diva Alcione emprestaram suas vozes como parte das 27 músicas que compõem o repertório.

Nós falamos com a dupla na sede do VEVO, em São Paulo, antes de um pocket show. Na conversa, Xororó falou que ele e o irmão, precursores do sertanejo pop, foram tratados com desconfiança no começo da carreira: “Teve uma resistência muito grande, a Beverly, que depois virou Copacabana, na época, eles achavam que isso era loucura da nossa cabeça. Que a gente era criança e não sabia o que estava fazendo. Que música sertaneja tinha que ser aquele formato”, afirmou.

Leia a conversa em que eles falam sobre influências, os primeiros anos, e como quebraram a barreira inicial para se tornarem ídolos:

Vocês são apontados como os primeiros sertanejos pop, que tocou em rádio e tal. Qual foi o segredo? Foi mudar o som, americanizar o som, tem gente que fala isso, ou o próprio visual…
Xororó – Acho que é uma soma de tudo, desde muito cedo a gente gostava de ouvir tudo. E a gente sempre quis fazer uma música sertaneja para os jovens também. A gente começou a colocar os elementos que não eram de costume para a época, a guitarra, a bateria, a mixagem mais na frente, as viradas de bateria…

Chitãozinho – Mas isso aconteceu primeiro no show. A gente foi contratado pra fazer um show em praça pública e os shows eram pra 10, 20, 50 mil pessoas. No primeiro show, a gente estava só com viola e violão. Tinha uma banda tocando, depois nós entramos sozinhos e a gente sentiu uma queda muito grande na pressão. Ficou acústico e sem plugar. Era acústico total mesmo. Aí, nós pedimos para eletrificar o violão e a viola, eu tocava viola na época, e levamos para o show e ensaiamos com a banda. No próximo show foi maravilhosamente bem.

Xororó – A gente era criança ainda. Essa sacada foi no primeiro show que a gente fez em praça pública.

Chitãozinho – Nós estamos falando em 1973.

Xororó – Antes, em 1972, tem uma matéria da Veja e a gente já estava com os instrumentos elétricos.

Chitãozinho – 71.

Xororó – Então isso chamou atenção do povo porque a música sertaneja antigamente era só tocada com a viola, violão, no máximo um acordeon, acústico.

Quando a gente começou a gravar, a gente sentiu necessidade de levar esse som pro disco. Porque a gente já sabia que agradava, principalmente o público mais jovem. A gente começou a introduzir a virada da bateria, o contrabaixo mais presente. Isso no começo assustou um pouco.

Chitãozinho – Que a ideia era conquistar os jovens, as crianças. Que a gente era criança. Essa mentalidade era porque a gente ouviu Beatles.

Xororó – Roberto.

Chitãozinho – Roberto, era o final da Jovem Guarda ainda.

Isso que eu queria perguntar. Quem são suas heroínas e heróis musicais?
Xororó – Beatles, Bee Gees, ouvia muito Bee Gees.

Chitãozinho – Elton John, por causa do vocal, a gente adorava a música romântica dele. Aí vem Raul Seixas, se tornou um ídolo nosso.

Xororó  – O Raul. A gente era muito fã de Raul, a gente tinha todos os discos do Raul. Só que época fita K-7, a gente comprava LP, em vinil, e fita K-7. Para ouvir na estrada, quando a gente viajava.

Chitãozinho – Neil Diamond. Com aquela voz grave, a gente amava. Eu comprei uma fita K-7, deixamos no carro e virou um ídolo nosso.

Xororó  – A gente ouvia muito o mastro, que a gente adorava, que era… Paul Mauriat (os dois falam juntos). Essa coisa das cordas, que a gente já gostava.

Chitãozinho – Quando nós começamos a crescer, nós introduzimos esses elementos que estavam lá na nossa memória.

Xororó  – Que teve uma resistência muito grande, a Beverly, que depois virou Copacabana, na época, eles achavam que isso era loucura da nossa cabeça. Que a gente era criança e não sabia o que estava fazendo. Que música sertanejo tinha que ser aquele formato.

Chitãozinho – Diziam que não tinham verba pra isso.

Xororó  – A gente passou um tempo querendo e não conseguindo. Quando a gente encontrou um produtor chamado José Omero Béttio, que é filho do Zé Béttio. O Omero foi nosso produtor por muitos anos. E o Omero conhecia a gente e tinha a mesma mentalidade. Não a gente tem que fazer um sertanejo para jovem. Aí ele topou a nossa loucura e começo a dar certo.

Chitãozinho – Isso foi 1977, o disco saiu em 1978. Então a gente já começou a evoluir.

Xororó  – Aí que deu certo, quando a gente começou a fazer no disco também.

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