Com um trio de produtores chapa quentíssima, Curumin, Lucas Martins e Zé Nigro, o baiano Russo Passapusso tem seu álbum de estreia entre os mais esperados pela galera que se liga na MPB indie. E a expectativa aumentou quando na quinta (22), ele liberou em seu site (aqui) duas faixas inéditas de seu primeiro trabalho solo.

Conheça Russo Passapusso

Russo também lançou Paraquedas e Flor de Plástico em vinil compacto 7’. As músicas são uma prévia de Paraíso da Miragem, previsto para agosto. O Virgula Música trocou uma ideia com o cantor e compositor.

Você surgiu no Baiana System. Por que foi buscar uma carreira solo?

Não surgi no Baiana System, apesar desse ser o projeto que mais tenho movimentado atualmente e por conta disso mais lembrado fora da Bahia. Quando cheguei em Salvador, o primeiro grupo do qual participei foi o Ministério Público Sistema de Som. Depois disso vieram outros projetos como o Dubstereo e o Bemba trio, que surgiram com o fluxo natural dos encontros musicais com os parceiros da cena que estava se formando ali.

Em 2008, recebi o convite do guitarrista Roberto Barreto e do artista visual Filipe Cartaxo para participar do Baiana System. Muita coisa aconteceu desde então e o Baiana pode evoluir, se tornando um grupo coeso e além do que propunha a ideia inicial. O Baiana contou com a influência musical e a colaboração de diversos parceiros dos projetos que participei anteriormente, então gosto muito mais da ideia de um movimento quando falo disso tudo.

Não houveram rupturas e recomeços e sim evolução e continuidade dos encontros musicais que foram surgindo ao longo da minha carreira. Agora com esse trabalho solo (o primeiro deles) também é assim. Não é uma carreira solo, é mais um projeto que se desenvolveu naturalmente, a partir do momento em que as músicas que eu havia composto há muito tempo foram ouvidas.

Hoje, apesar de parecerem trabalhos opostos, o todo está harmonizado, pois é tudo parte de minha trajetória.

Que outros novos nomes da cena baiana gosta e indica?

Seguindo as ideias dos encontros, posso dizer que Salvador não para. De um ano pra cá tenho convivido com dois produtores locais: Mahal Pita e Rafa Dias. Eles estão dando continuidade a esse movimento de rua, iniciado com o Ministéreo Público, com o projeto A MASSA.

Não posso deixar de citar o multiartista Fael Primeiro, que tem força marcante nos palcos, composições e no seu grafite.

Vandhal, com sua linguagem diferenciada sempre me surpreende e também tem que estar nesta lista aqui.

Já tem gente falando em Novos Novos Baianos, acha que tem a ver?

Os rótulos são sempre rótulos. Se for pelo ineditismo ou época em que vivemos pode até ser. Somos novos em relação aos que vieram antes. Mas não há qualquer intenção ou identificação com o movimento da época dos Novos Baianos. O que tem acontecido são artistas novos sendo vistos e reconhecidos fora da Bahia agora.

E no Brasil, em geral, sente-se parte de uma cena de nova música brasileira?

Dizer isso assim parece até pretensão, mas se minha música se espalhar pelo Brasil, dialogar em espaços onde estão artistas como Curumin, Criolo, Anelis Assumpção, Jussara Marçal, Céu, Otto, Guizado, BNegão, Lucas Santtana, Márcia Castro, Karina Buhr e tanta gente boa que está presente nessa nova música brasileira, então posso me considerar parte dessa cena sim. E com muita felicidade disso ter acontecido naturalmente.

O que espera alcançar com sua música?

Quando fiz as músicas que compõem o Paraíso da Miragem, elas não eram pra ser ouvidas. Mas quando foram, logo me levaram para um lugar que eu jamais imaginava. Um encontro especial com músicos incríveis, um disco, visibilidade maior fora do meu estado. Com isso percebi que o melhor é não esperar nada, e alcançar aquilo que a música for me oferecendo. Pode parecer piegas, mas até hoje foi assim.

Por que optou por três produtores e ainda por chamá-los para ser sua banda?

Isso também não foi opção pensada. Os produtores – Curumin, Lucas Martins e Zé Nigro, vieram quando conheci Curumim e nossa relação de trabalho e amizade começou. Ele gravou Passarinho e compusemos Afrochoque juntos. Nesse tempo, mostrei as músicas e logo veio a ideia de produzir mais. Tudo foi acontecendo num ambiente familiar dos caras e nos final gravamos. O disco foi contemplado no edital do Natura Musical, e depois as coisas foram caminhando até chegarmos a parceria com a Oloko Records, que agora está fazendo o filho sair voando por aí.

Muita gente dizia que o rap tinha acabado com a canção, vê uma nova configuração desta situação?

Tudo que limita cai por terra depois. A música permite muitas possibilidades e combinações, isso já é velho. Sobre o rap e a canção lembro da alegria de quando vi o Criolo fazendo o som dele pela primeira vez, e dentro de um ambiente fechado pra isso.

BNegão que é um músico plural, me ensinou a fazer o que a música pede, independente de estilos pré definidos. É nisso que me espelho.

Eu, por exemplo, não tenho característica definida. Não me vejo MC, sambista, roqueiro, toaster, ou qualquer coisa assim. Sou um instrumento da música e para cada uma tenho que seguir uma direção.
Então essa nova configuração do rap é um fato. A música é livre.

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