Talvez você ainda não tenha ouvido falar em Dilson Scher, mais conhecido como Dilsinho. No entanto, na certa você já cantarolou alguma de suas composições, ou ao menos as ouviu no rádio ou na TV. Com apenas 19 anos e natural da Ilha do Governador, Dilsinho é atualmente a maior promessa do samba e pagode, tendo músicas de sua autoria gravadas por astros de primeira constelação, como Thiaguinho, Sorriso Maroto e Alexandre Pires. Um exemplo é o hit “Maluca Pirada”, sucesso na voz do vocalista do Só Pra Contrariar ao lado de Mumuzinho.

Aclamado por esse time de artistas e lotando os shows que vem fazendo na carreira solo, o jovem talento está prestes a lançar o seu primeiro álbum, quase todo autoral. O CD, que já despertou o interesse de grandes gravadoras, terá 11 faixas, dentre elas apenas uma regravação. A produção está a cargo de Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto.

É sobre esse trabalho, assédio das fãs e também sobre o início da carreira que Dilsinho bateu um papo com o Virgula. Confira:

Como a música surgiu na sua vida?
Entre 8 e 10 anos eu já  participava de algumas reuniões familiares que sempre terminavam em samba. Meu pai e meus tios faziam uma verdadeira festa , onde todos nós cantávamos juntos. Apesar de ser um pouco tímido quando mais novo, nunca deixava de cantar ou tocar algum instrumento percussivo. Escutei muita coisa boa desde muito jovem: Djavan, Maria Bethânia, Chico Buarque, Roberto Carlos, Gilberto Gil ,Tim Maia, Cazuza, Lulu Santos… são sonoridades que me influenciam até hoje. Quando completei 13 anos, ganhei meu primeiro instrumento, um violão. Lembro que acordava todo dia de manhã 1 hora antes do colégio e não largava o instrumento de jeito nenhum, foi uma relação de paixão que continua até hoje. Fui descobrindo cada som, cada nota, cada acorde, e esses primeiros momentos foram os mais mágicos. Meu primo Daniel tinha uma banda de pop rock e eu passei a frequentar todos os ensaios. Depois a banda acabou terminando e nesse momento iniciei uma parceria de lealdade e uma das mais importantes até hoje com Daniel, meu primo. Descobri a magia e a arte da composição, em um universo totalmente novo. Aos 14 anos fiz o meu primeiro trabalho ”profissional” na noite, recebi meu primeiro cachê. Com a mesma idade ganhei um festival de música e os convites para trabalho começaram a surgir. Tocava em tudo, festa de criança, casamento, 15 anos… No colégio já começavam a aparecer alguns seguidores e admiradores do trabalho. Eu tirava fotos, assinava alguns cadernos, e lembro até que ficava treinando dar autógrafos. De algum jeito eu já sentia e previa que não conseguiria fazer outra coisa na minha vida a não ser música. Agradeço todo dia a Deus por me proporcionar momentos tão felizes.  Acho que na verdade a música me escolheu, e não ao contrário.

E a primeira composição, qual foi?
A primeira vez que fiz uma música tinha 13 anos. Era uma canção bem bobinha, mas eu me amarrava, falava um pouco da vida .Lembro até que, na época, uma menina que estudava comigo fez uma tatuagem com uma passagem da letra, mas hoje em dia não lembro direito da música, faz muito tempo.

Qual foi a primeira composição sua que virou sucesso?
Minha primeira música a tocar efetivamente em rádio e TV em todo Brasil foi ‘Maluca Pirada’, na voz de Alexandre Pires e Mumuzinho. Foi uma emoção muito grande não só para mim, mas também para toda a minha família. Foi um momento mágico que lembro até hoje de quando recebi a notícia, chorei igual uma criança.

Onde você busca inspirações para compor suas canções?
No meu caso, não componho situações que acontecem comigo, mas sou uma pessoa bastante sensitiva e acabo escrevendo sobre acontecimentos do dia a dia que vejo ou escuto. Mas de alguma forma fazem parte da minha vida, mesmo que indiretamente. Às vezes me coloco nas situações. 

Há algum artista que você considera como referência? 
Gosto muito dos artistas internacionais, Justin Timberlake, Usher , Ne Yo e Brian McNight, entre outros. Eles são muito perfeccionistas no que fazem , apresentam grandes espetáculos, além da musicalidade fora do comum. 

Você está solteiro? Como lida com o assédio das fãs?
Procuro sempre ser muito simpático, adoro o carinho das fãs. É muito legal ver o sentimento que elas têm por mim e pelas minhas músicas. Quero que esse reconhecimento aumente cada dia mais. 

Você se preocupa com o visual?
Gosto de me cuidar, malho e jogo bola no mínimo duas vezes na semana. A galera que trabalha comigo me ajuda bastante na hora de escolher as roupas que uso nos shows, mas na hora da apresentação, coloco o que me sinto bem, que é o mais importante.

Fale um pouco sobre o seu álbum: o que o público pode esperar do trabalho?
Estamos trazendo ideias e visões harmônicas e melódicas do Pop Nacional e Internacional, com guitarra e teclado bem “na cara” , sem perder os aspectos rítmicos do samba. Estou vivendo o momento mais interessante da minha carreira. Hoje sou um homem mais maduro, me sinto assim também no lado profissional e meus projetos de vida estão andando paralelamente. Além de estar conseguindo entrar no mercado popular como compositor, estou fazendo o trabalho mais importante da minha vida. Nunca me dediquei tanto a um trabalho como tenho feito neste momento. Tenho certeza que esse vai ser um divisor de águas para mim como artista. Tenho feito tudo com muito carinho e cada detalhe desse projeto foi escolhido a dedo. Acho que, nesse CD, vou conseguir retratar tudo o que eu vejo e sinto em questão de sonoridade. Basicamente trata-se de um disco autoral, com uma regravação apenas, 9 músicas minhas com parceiros e 1 de outros compositores. Estamos apostando muito nesse projeto, que deve estar sendo finalizado entre até outubro.

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