(Foto: Paulo Aguiar) Autoramas

Oito álbuns, quatro coletâneas, dois DVDs, algumas mudanças na formação e milhares de quilômetros rodados no Brasil e ao redor do mundo. Com essa bagagem e status de um dos maiores exemplos de bandas nacionais a conseguir se manter no mercado musical independente, o Autoramas chega ininterrupto aos 20 anos de carreira. E com a libido de tocar em alta.

“Fazer shows é o ganha-pão do músico e tocamos o tempo todo. Temos muita sorte de estarmos aí há tanto tempo fazendo disso a nossa profissão. Nosso lance é tocar pelo mundo”, diz o vocalista e guitarrista Gabriel Thomaz ao Virgula“Estamos fazendo 20 anos de banda com a libido lá no alto. Nos relacionamentos é comum a libido ir baixando com o tempo. No Autoramas, não. Estamos cada vez mais ‘animadinhos’ (risos)”, acrescenta o músico sempre bem-humorado.

Para celebrar a data especial, o grupo, que de trio virou quarteto, acaba de lançar o novo trabalho de inéditas, Libido, pela Hearts Bleed Blue (HBB) em parceria com a gravadora alemã Soundflat Records. O título, como explicado acima, representa a boa fase da banda.

“Acho que finalmente conseguimos mostrar quem realmente somos, sem barreiras”, diz Gabriel sobre levar a crueza do ao vivo para o estúdio, fazendo de Libido o disco mais garage do Autoramas. “Ao vivo sempre soamos do jeito que está no disco novo. Nem sempre foi fácil transmitir essa energia para o estúdio, para uma gravação, e acho que agora conseguimos”. 

Confira o o papo completo e divertido abaixo:

(Foto: Paulo Aguiar) Autoramas

Virgula: Por que o título Libido?

Gabriel Thomaz: Estamos fazendo 20 anos de banda com a libido lá no alto. Nos relacionamentos é comum a libido ir baixando com o tempo. No Autoramas, não. Estamos cada vez mais “animadinhos” (risos).

Libido pode ser considerado o álbum mais garage do Autoramas? Como você o define?

Concordo plenamente. Mas talvez seja por uma questão técnica. Ao vivo sempre soamos do jeito que está no disco novo. Nem sempre foi fácil transmitir essa energia para o estúdio, para uma gravação, e acho que agora conseguimos. É quase um exercício de autoconhecimento. Não sei se o nome disso é espontaneidade. Acho que finalmente conseguimos mostrar quem realmente somos, sem barreiras. Devemos isso ao trabalho de Alexandre Zastras, Bernardo Pacheco, Luis Tissot, Jim Diamond e Billy Comodoro, cada um em suas respectivas funções.

Um dos pontos fortes do Autoramas sempre foi as letras em português, e Libido possui algumas músicas em inglês. Por que apostar em um novo idioma?

No disco anterior já tínhamos gravado três músicas em inglês. Acho natural depois de tantas viagens e turnês para o exterior a inspiração chegar em inglês, com as palavras, fonemas, melodias e rimas desse idioma. Mas também sei que é difícil tentar convencer alguém de que isso não tem um fundo mercadológico e tal, mas tudo bem.

Qual é o segredo para se manter por 20 anos na ativa em um mercado tão difícil como o independente?

Não sei se depois de 20 anos participando ativamente do cenário da música brasileira nós ainda tenhamos algum segredo. Eu particularmente penso em música 24 horas por dia, adoro barulho, som alto e adjacências. Tocamos o tempo todo, fazer shows é o ganha-pão do músico. Tentamos cuidar das coisas da internet (pra mim essa é a parte mais difícil, eu que me formei na escola do fanzine e da fita demo) e administrar de equipamentos a merchandising. Temos muita sorte de estarmos aí há tanto tempo fazendo disso a nossa profissão. Nosso lance é tocar pelo mundo.

Hoje em dia as coisas estão mais fáceis ou mais difíceis para o rock no Brasil?

Com certeza está tudo muito mais fácil. Quando comecei a tocar a única regra e cristalizada era fazer um som que se encaixasse no que os cartolas da música acreditassem, para assim ser contratado por uma grande gravadora e dessa forma tocar na rádio e na TV. Se esse roteiro não se realizasse, você era um fracassado. Hoje vejo bandas de estilos variados lotando shows sem tocar na rádio ou TV. Até bandas instrumentais tem um baita espaço. As bandas hoje viajam pelo mundo, tem o privilégio de administrar a própria carreira. São livres. Tocam num equipamento infinitamente melhor do que naquela época… Mas são poucas bandas que se estabelecem. Isso é igual a antigamente, mas não é pior.

Para finalizar, uma dica para bandas que estão começando?

Sempre que me encontrarem me paguem uma cerveja ou um refrigerante e tudo dará certo em suas vidas. Musicalmente: faça o que seu coraçãozinho mandar.

Capa de Libido

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