Ava Patrya Yndia Yracema, nome verdadeiro de Ava Rocha batiza o seu segundo disco. O sucessor de Diurno (2011) chega mais quente, politico e pop, na definição da própria multiartista carioca, tanbém cineasta como o pai, Glauber Rocha (1939-1981).

Conheça Ava Rocha

“Diurno é um anagrama de ruindo e Yracema é de Améryka”, explica ela ao Virgula Música. O show com repertório do novo trabalho, produzido por Jonas Sá rola nesta terça (14) e quarta, no Sesc Copacabana, no Rio, com participação de Jards Macalé.

O show ainda não é o lançamento, que deve sair em breve. Leia a nossa conversa com um dos nomes mais incríveis da nova música brasileira que falou sobre o novo trabalho, processo de composição e Zé Celso, entre outros assuntos. 

O que mudou nesse trabalho em relação ao primeiro disco? 

Ava Rocha – Esse disco que eu vou lançar é mais quente, mais politico e mais pop. Diurno, meu primeiro disco é mais diluído, poético e sem gênero.

Esse meu novo disco chama Ava Patrya Yndia Yracema, Diurno é um anagrama de ruindo e Yracema é de Améryka. Ambos os discos eu acho que são bem experimentais, estranhos e que transitam entre o desmanchamento da quase-canção-ruindo ao cancioneiro. Ou seja são discos que abordam a sensação e a emoção.

De diferente tem o fato que esse novo disco tem a produção do Jonas Sá, que é um cara muito impressionante que fez os arranjos com o Daniel Vasquez.

Ouça Você não vai Passar

Ouvindo Você não vai Passar dá pra perceber arranjos mais complexos, uma coisa meio tropicalista Duprat, enquanto que Hermética tem isso também, mas dialoga também com a eletrônica experimental…

Ouça Hermética 

Essas duas músicas que você citou em particular são de Negro Leo, sendo que Você Não Vai Passar é um single do disco e a versão que você cita de Hermética é um show ao vivo em Berlim que é uma outra coisa. 

Primeiro a gente gravou o disco e depois transcriou ao vivo, e são os músicos que tocam comigo, pertencentes da cena experimental do rio, que imprimem a sonoridade. Em Diurno, o processo foi o contrário, primeiro começamos a tocar, fazer show e depois fomos gravar, a formação era fechada e esse de agora são muitos músicos que participam. Enfim, tem que esperar sair pra escutar…

Que outros nomes da música brasileira atual mais gosta e indica? Sente-se parte de uma cena?

Não me sinto parte de uma cena mas de uma zona. Zona que tem gente como meu marido o Negro Leo, o Kiko, a Juçara, o Galo, o Dedo, o Cadu Tenório, a Iara Rennó, o Chinese Cookie Poets, a Bella Meireles, Romulo Froes, Fela Montparnasse etc, muita gente.

Em que aspectos ter sido apontada como uma revelação quando seu primeiro álbum saiu te ajudou e te atrapalhou a conseguir encontrar seu som neste novo trabalho?

É muito desejo de fazer muita coisa. Eu fiz meu primeiro disco e tô pra lançar o segundo e já quero cair dentro do terceiro, só que não quero ficar contando o número de discos, pensando tanto no padrão do mercado, tenho muito desejo de muitos sons, de experimentar bastante e estou nesse caminho cada vez mais. Então no primeiro eu fiz um lance e no segundo eu quis outro lance, mas claro eles dialogam entre si.

Como é seu processo de composição? O que te motiva a fazer uma música?

Tudo me motiva mas compor é muito dificil. Eu sou uma compositora experimental e intuitiva e tenho vários processos. Um deles é ligado a edição de idéias, fragmentos, improvisos, samplers etc. Outro é quando baixa a música, como já cantava Itamar Assumpção, “quando você menos espera ela chega”.

É verdade que o Zé Celso foi o grande incentivador da sua carreira como cantora? Isso influencia a maneira como você pensa a sua música e se apresenta ao vivo?

O Zé foi um grande incentivador, me jogou na cena de Os Sertões para cantar Luar do Sertão. Depois que você atravessa a pista do Teatro Oficina cantando como eu cantei naquela primeira vez, eletrificada, foi um caminho sem volta. Eu já cantava, já gravava, já criava coisas, mas não tinha tido a experiência cênica e a convivência, a oportunidade histórica de estar ali com ele.

SERVIÇO

Ava Rocha
Show com repertório de Ava Patrya Yndia Yracema, com participacão de Jards Macalé
14 e 15 de outubro, terça e quarta, 20h30
Ingressos: R$ 5 (associado Sesc); R$ 10 (meia-entrada); R$ 20
Equipe do show: Alan Athayde (produção), Anderson Felix e Felipe Drehmer (luz) e Martin Scian (som)

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