Agora é oficial: o britpop é um fracasso nos Estados Unidos. Pela primeira vez em quase 40 anos, não há um artista ou grupo britânico na parada da Billboard. O último súdito da rainha Elizabeth foi o artista de R&B Craig David, que deixou o ranking na terça-feira.

Os especialistas insistem que tal desaparecimento é apenas um fenômeno passageiro, ainda que seguido por uma prolongada queda nas vendas.

Os dias em que bandas como os Beatles dominavam o setor musical norte-americano já ficaram no passado distante. Em 1964, os quatro rapazes de Liverpool detinham os cinco primeiros lugares da lista de singles da Billboard.

“Acho que está ficando bem mais difícil para artistas estrangeiros penetrarem no mercado norte-americano”, disse Sarah Roberts, da British Phonographic Industry (BPI). “Uma das razões é a imensa popularidade dos artistas de country e rap, que os EUA produzem em abundância”, ela disse à Reuters.

Outra especialista, que não quis revelar o nome, declarou que o estilo seria um obstáculo. “Boa parte do talento britânico é visto como excêntrico”, explicou, citando como exemplo o cantor Robbie Williams, superastro na Grã-Bretanha, mas relativamente desconhecido nos Estados Unidos.

Também há nomes importantes no setor da música que atribuem a queda nas vendas dos artistas britânicos nos EUA à proliferação de bandas manufaturadas de ambos os lados do Atlântico.

“As platéias americanas nunca aderiram a nossa linha de pop manufaturado, mas quem pode criticá-las por isso?” escreveu Neil McCormick, crítico de rock do britânico The Daily Telegraph.

“Afinal, para que importar lixo do exterior quando você já tem bastante em seu próprio quintal?”.

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