Cartas particulares da diva da ópera Maria Callas, escritas na fase final de seu caso de amor com o bilionário grego Aristóteles Onassis, serão leiloadas em Roma na quarta-feira, e o interesse internacional pelo leilão é grande.

A meia dúzia de cartas escritas no final dos anos 1960 e enviadas à professora de voz de Callas, Elvira De Hidalgo, trazem o desejo de vingança da cantora contra Onassis e Jacqueline Kennedy, a mulher com quem ele iria se casar.

Callas morreu sozinha e deprimida em setembro de 1977, aos 53 anos, em Paris. Onassis morreu em março de 1975.

A casa de leilões Christie’s vai oferecer ao todo 11 lotes de cartas e fotos de Maria Callas, com preço mínimo de mais de 15 mil dólares. O interesse internacional é grande, e a previsão é que boa parte dos lances venham do país natal de Callas, a Grécia.

Escritas no momento em que seu caso com Onassis chegava ao fim depois de nove anos, as cartas de Callas falam de sua desilusão e de seus esforços para perder peso, revelando a raiva e as mudanças bruscas de humor da estrela atormentada.

“É cruel, não é verdade. Os dois precisam pagar e vão pagar, você vai ver”, ela escreveu no final de outubro de 1969, dias depois do armador Onassis ter se casado com a esbelta e chique viúva do presidente americano assassinado John F. Kennedy.

ALTA SACERDOTISA DA ÓPERA

Em junho do mesmo ano, à medida em que florescia o namoro entre Onassis e a antiga primeira-dama dos EUA — e que o mundo esperava para ver qual seria a reação da temperamental Callas –, a cantora escreveu a De Hidalgo:

“Estou bem, na medida do possível, mas é como se tivessem me dado um soco muito forte, não consigo respirar. Recebi três telefonemas (de Onassis). Um eu não atendi. Nas outras duas vezes eu atendi e foi um desastre.”

Ao mesmo tempo em que lutava para continuar com seu amante, a mulher que o cineasta Franco Zefirelli apelidara de “alta sacerdotisa da ópera” lutava para conservar sua voz divina.

“Estou reconstruindo tudo”, ela escreveu a De Hidalgo em janeiro de 1968, quando trabalhava sozinha para criar novos métodos de canto.

Angustiada com a traição do homem que certa vez lhe dera uma aliança de diamantes de 1 milhão de dólares e lutando contra a depressão, Callas estava em clima reflexivo quando escreveu outra vez a De Hidalgo em abril de 1969, dizendo: ”Dentro em pouco vou começar a escrever minha biografia”.

Ela morreu oito anos depois, sozinha.

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