Especializado em celebridades, o fotógrafo Francisco Cepeda, da agência AgNews, já viu muitas mudanças em mais de 20 anos de profissão. Uma das principais novidades que impactou o trabalho dos fotojornalistas foram os celulares com câmera, o que, para alguns, seriam capazes de transformar qualquer pessoa em profissional da imagem.

Cepeda, no entanto, sustenta que a coisa não é bem assim. “Não é certo dizer que todo mundo é fotógrafo”, diz. “Não tem nada a ver. Querem vender o celular como um atrativo, mas não é por que você compra um carro e ele vem com cinco litros de gasolina que você nunca mais vai precisar ir no posto”, disse ele ao Virgula, enquanto esperava pela coletiva de Ivete Sangalo, na semana passada.

Na época em que começou a trabalhar, em 90, na editora Abril, não havia câmeras digitais, era preciso revelar os filmes e o fotógrafo abastecia revistas semanais e mensais. Hoje, com os sites e a tecnologia tudo é muito mais rápido. “Hoje você tem mil utilidades, não tem mais isso de que não dá mim. Se você não fizer, tchau”, diz o profissional, que faz pelo menos duas matéria por dia. Já chegou a fazer dez.

Ele pondera, no entanto, que conhece pessoas que tiram fotos muito boas com smartphones, antes de exemplificar: “Se aparecer um disco voador na sua frente você não vai fazer porque não tem qualidade?”, questiona.

A verdade pode até estar lá fora, mas, com a profusão de câmeras, nós nunca estamos sós.

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