Ed Sheeran em SP

(Créditos: Manuela Scarpa/Photo Rio News)

Um desavisado talvez se surpreendesse ao perceber que todo o barulho que estava rolando no Espaço das Américas nesta terça (28) vinha de um cara sozinho, só com um violão e uns pedais de reverberação. Ed Sheeran subiu ao palco para o seu primeiro show de duas datas esgotadas em São Paulo sozinho, com uma camiseta da seleção personalizada com seu nome nas costas, uma bandeira do Brasil e um violão.

Ele abriu o show com I’m a Mess, a segunda faixa de seu mais recente álbum de estúdio, Multiply, e foi recebido por gritos que quase conseguiram ser mais altos do que a música que o inglês construía no palco. Sem bases pré-gravadas, sem banda de apoio. O artista segurou um show de quase duas horas inteiro nas costas, sozinho. “Oi, São Paulo”, ele disse em português. “Meu nome é Ed e eu quero divertir vocês. Vocês querem se divertir?”, perguntou com seu sotaque inglês e um sorriso tímido e alegre.

“A paixão que vocês tem pela música, não só pela minha, não é como nada no mundo”, ele agradece o público. Mas Ed não é de muita conversa; apenas alguns agradecimentos que soam sinceros. “Eu sei que esse país é muito grande e que teve gente que viajou de muito longe pra vir aqui hoje. Obrigado por isso”, ele reconhece.

Ed Sheeran em SP

(Créditos: Manuela Scarpa/Photo Rio News)

A apresentação foi de fôlego surpreendente. Ed Sheeran se esforça e traz o público pra dentro do seu mundo, que pode ser um tanto quanto inesperado. Quem vê o ruivo de rosto redondo e jeitinho de nerd não imagina que o cara parece uma metralhadora de versos quando quer. Nem que o cara que faz um cover de Stevie Wonder (Superstition) e de Bill Withers (Ain’t no Sunshine) também vá colocar o refrão de Fancy no meio de sua própria You Need Me, But I Don’t Need You.

O público se empolgou tanto com as faixas de seu Multiply quanto com as de Plus, o primeiro álbum de Ed. Mas as suas duas músicas que estão em trilhas sonoras, I See Fire de O Hobbit: A Desolação de Smaug, e All of the Stars, de A Culpa é das Estrelas, também foram recebidas com gritos. “Foi com a I See Fire que eu conheci ele”, ouvi um cara comentar mais tarde, no metrô. Ponto pra cultura pop.

Ed Sheeran talvez seja considerado por muitos como só mais um nome na música pop, e provavelmente é mais lembrado por suas baladas (Thinking Out Loud, alguém?). Mas o que não falta pro cara de 24 anos é capacidade pra escrever versos longos, honestos e afiados, cantá-los sem perder o fôlego, e construir uma música do zero em cima do palco. Quantos dos que dividem os rankings da Billboard com ele conseguem fazer isso? Pelo menos a quem esteve no público na primeira apresentação do ruivo no Brasil não restaram dúvidas.

O cantor se apresenta nesta quarta (29) novamente no Espaço das Américas. Se liga nas fotos do show:

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