Aposta do novo rap carioca, Xará lança o álbum Nós Somos a Crise nesta quarta-feira (24). O disco tem participação de Daúde, Rodrigo Ogi e Damien Seth, entre outros. 

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“Hoje a informação chega muito mais rápido e diversificada para todos. Quem não arruma um jeito de sair do lugar-comum, está fadado ao fracasso. A busca da minha geração é por identidade, pelo diferencial. Entendemos que o caminho certo é não seguir a fórmula de sucesso de ninguém. Temos que andar pelo caminho menos transitado, e isso tanto na escolha dos temas como na forma de pensar a música”, afirma o músico, sobre os desafios do rap atual.

Em relação às diferenças entre a sua geração os pioneiros do rap, ele aponta as sonoridades, a diversidade de temas, e a profissionalização. “Minha geração desconstruiu alguns dogmas do gênero mas também perdeu muito da urgência e do engajamento dos pioneiros. É uma questão de perde e ganha”, afirma.

Já entre os nomes que ele ouve e indica, Xará cita Marechal, Emicida, Ogi, Shawlin, Don L, Kamau, Ramonzin, Funkero, Gutierrez e também Tiago Mac, Guizo e Onni, da Mais Um Sanatório, grupo com o qual o rapper trabalha.

Xará rejeita a tese de que o rap carioca seja mais leve e dançante, mas defende que ele tenha uma característica própria. “O rap carioca, em geral, tem por característica ser contestador, e isso levamos às últimas consequências. Contestamos a sociedade, os paradigmas, e consequentemente contestamos até as estruturas do próprio rap que por muito tempo foi ditada de forma rígida por São Paulo”, argumenta.

“Tivemos que matar nossos ídolos para conseguir voz nesse cenário e isso fez de nós, em certo momento, os antagonistas da cultura, até que hoje entendemos que somos, na verdade, os protagonistas da nossa própria história. E isso nos fez diferente e renegados por tanto tempo”, completa o rapper carioca.

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