Ser chamado de pai por Vivi Seixas, filha de Raul, é uma das coisas que mais orgulham Penna Seixas, cover-mor de Raulzito, segundo o fã-clube Raul Seixas Oficial. Também baiano, como o Maluco Beleza, sua semelhança é tão incrível que ele foi escolhido para ser o Raul nas partes ficcionais do documentário Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio. E isso não é pouco mérito, já que o mercado é super concorrido: são 1.200 covers de Raul no Brasil, segundo as obscuras contas dos “raulseixistas”. 

Mas a dedicação ao seu maior ídolo também envolve uma ligação sanguínea, Penna batizou seu filho como Raul Seixas. E ele conta ao Virgula Música que teve de brigar na Justiça com a mãe do menino, que queria mudar para Francisco o nome do garoto, hoje com 12 anos. 

Ao lado da banda Frobenius, que o acompanha há 15 anos, Penna recusa o estereótipo colado a quem vive de encarnar Raul. “Não bebo nada de álcool e nunca usei droga. Tem cover de hoje que tem que fumar, tem que cheirar, tomar um litro de whisky”, critica, dizendo que seus pedidos de camarim se restringem a água e café.

Tudo para manter o clima família, como ele classifica a banda que o acompanha, todos os integrantes “dos 50 para cima”. Quando não está no palco, ele está sobre duas rodas, como um “velho lobo do asfalto”, na própria definição de um amigo, que ele diz ter gostado. Leia a entrevista concedida por telefone, em que Penna fala, entre outros assuntos, sobre o apoio que recebeu da família de Raul na briga judicial, a permanência do ídolo hoje e as características que julga mais importantes em um cover do criador de Sociedade Alternativa, Gita e outros clássicos. 

É verdade que a Vivi Seixas te chama de pai?

Em todo lugar que ela me vê, ela para e vem, “chegou meu pai”. Ela tem um carinho por mim, graças a Deus. É maravilhoso. E eu a conheci desde novinha também. Agradeço esse carinho dela e da família. Inclusive, meu filho se chama Raul Seixas e quando teve um processo aí, que foi uma coisa muito louca, que eu não contei para ninguém… Não sei se interessa saber….

O que aconteceu?

A mãe me processou tentando mudar o nome do menino, queria que o menino se chamasse Francisco Joaquim, porque meu pai se chamava Francisco e o dela Joaquim. E ela largou o menino, o menino hoje tem 12 anos e se chama Raul Seixas. E foi legal porque eu tive várias audiências no fórum, e a família da mãe alegou que a família do Raul era contra. E a Kika (Seixas), a Vivi, todo mundo mandou cartas e cartas e foi aceito no fórum.

O Raul teve uma passagem em que foi confundido com um impostor, não acreditavam que era ele. Já te disseram que você é mais parecido com ele que o próprio Raul?

Eu acabei de voltar do Rio e me fizeram cantar Raul em uma roda de samba. Me fizeram cantar em ritmo de samba. Em todo lugar que eu vou eu ouço, “Raul não morreu”. É maravilhoso isso aí. Mas eu acho que Raul só existe um, né, cara?

Igual a Vivi, o trabalho novo dela é maravilhoso. Achei legal porque essa molecada, dessa baladas, vai querer saber quem foi Raul Seixas.

E por que você acha que a música dele continua tão forte?

Olha, para mim, é como se fosse… Como eu sou baiano, na Bahia tem o Farol da Barra, aquele farol que os navios se orientam por ele. Então o Raul, não só para os baianos, para o Brasil, é aquele farol imenso. E nós somos a lanterninha. É por isso que não vai morrer, esse farol não se apaga nunca.

A semente que ele plantou já nasceu. E estamos nós aí, eu e mais de 1.200 covers que tem pelo Brasil.

1.200?

Depois que ele morreu, a coisa ficou assim. Antes era pouco. Tem uns caras que eram cover do Amado Batista e começaram a fazer Raul Seixas.

E o que você acha que um bom cover do Raul Seixas precisa ter?

Eu como sou baiano, não sei se é por causa disso, em primeiro lugar você tem que ter o carisma. Teve um amigo meu que me ligou outro dia, que trabalha na prefeitura, e disse que tem cover do Raul com dois seguranças e exigindo camarim com não sei o quê. E quem conviveu com Raul sabe como era. É igual a Vivi, isso ela tem do Raul. O que ela herdou do Raul não foi o rock and roll nem tanto, mas o carisma. O Raul era aquilo que ela é.

Eu acho que um bom cover do Raul tem que ter o carisma. O que é legal que eu fui o único cover que, no show, de três em três músicas, eu troco de roupa, faço um teatro Raul Seixas, a cada ano eu abro um show diferente. E hoje eu já fiquei sabendo tem um outro cover me imitando, você acredita? De cada quatro em quatro músicas, começa a trocar de roupa.

E quem são os melhores covers no Raul, na sua opinião?

O primeiro cover que fui conhecer aqui em São Paulo, que chegou a gravar com o Raul, é Amorim Menezes. Eu fui num show dele, Raul, era vivo ainda, onde tinha faculdade da USP, era a praça do Relógio, a turma se reunia a cada fim de semana.

E depois o Tukley, que é um cara que eu respeito muito. Até outro dia ele botou uma foto minha andando de triciclo, “o velho lobo da motocicleta”. Eu achei até legal, agradeci a ele.

São caras que eu tenho muito respeito. Tem o Paulo Mano. Tem um outro no interior de São Paulo chamado Dylan Seixas, fazia cover de Bob Dylan e começou a fazer de Raul. Agora tirou a barba está fazendo Dylan e vai voltar a fazer Raul de novo. Eu tenho muito amigo, tem muita gente boa por aí.

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