Mary olivetti, talento que vem de berço e nome forte da produção musical no Brasil

O Brasil é um país que deveria mesmo se orgulhar das mulheres que o fazem brilhar. Entre tantas divas que já cravaram o seu nome no reconhecimento do público, há ainda tantas que já deveriam ter espaço há mais tempo. É, nunca é tarde, não é mesmo? Não para Mary Olivetti.

O Virgula bateu um papo musical e humanamente enriquecedor com a produtora musical de 37 anos, hoje referência na área no país. Leia ao fim da matéria a entrevista na íntegra.

A Cor de Rosa que dá Choque, bebê!

O sobronome deve ser bem familiar a quem está acostumado com o mundo das produções que marcaram época. Hoje uma das produtores tops do nosso país, Mary é filha de Licoln Olivetti e continua o legado do pai com maestria.

E se você ainda não está por dentro do novo projeto da DJ, não sabe mesmo o que está perdendo. O remix de Mary de um dos maiores sucessos de Rita Lee e Roberto de Carvalho, “Cor de Rosa Choque”, é de tirar o chapéu e entrar para o hall dos trabalhos mais bem feitos sobre a obra-prima da rainha do rock and roll nacional.

“Mary, aqui é Rita Lee. Acabei de ouvir a sua obra-prima! Cor de Rosa Choque. Que coisa maravilhosa, que tesão. Ficou uma delícia, parabéns! Bem, filha de peixe, peixinha é. E sua mão deu um toque sexy, de tesão, uma delícia!”.

Foi assim que Mary recebeu o feedback de Rita sobre “Cor de Rosa Choque”, que integra o álbum de remixes de Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Vida, carreira, inspirações e reconhecimento

Mãe de três, cantora, DJ, crítica de música, curadora, produtora… o currículo extenso dessa virginiana nascida no dia da Independência do Brasil, de 1983, mostra bem o quanto Mary já contribuiu para o entretenimento do país.

Se veio ao mundo no dia da Independência, é mesmo na liberdade de criação que Mary mantém a carreira hoje mais assiduamente com a produção musical. E inspiração nunca falta.

“Se hoje temos mais liberdade e voz ativa do que ontem temos muito o que agradecer à mulheres como Rita Lee e muitas outras que um dia cantaram, escreveram e lutaram para dizer que somos cor de rosa sim, mas somos “ROSA CHOQUE”, disse Mary ao Virgula.

Única mulher presente no primeiro álbum de remixes de Rita e Roberto, sob a supervisão de João Lee, Mary Olivetti não deixa de lembrar de outras parceiras no projeto. “Na realidade sou a única mulher do primeiro álbum. Temos mais duas, a Morgana e Vivi Seixas. Fui testemunha do esforço que João Lee, o filho do meio de Rita e Roberto e capitão do projeto, fez para ter outros nomes femininos conosco”.

E vem mais por aí… Podem apostar… “Estou com 12 músicas em andamento”. Ela não para! E nós também não, não paramos de admirá-la…

A entrevista com a diva…

Mary olivetti, talento que vem de berço e nome forte da produção musical no Brasil

Virgula: Como é ser mulher no projeto de remixes de Rita e Roberto?

Mary: Na realidade sou a única mulher do primeiro álbum. Temos mais duas, a Morgana e Vivi Seixas. Fui testemunha do esforço que João Lee, o filho do meio de Rita e Roberto e capitão do projeto, fez para ter outros nomes femininos conosco, mas entendi que este trabalho foi algo que João desenhou levando em consideração as pessoas que o cercaram durante quase três décadas de pista de dança. É nítido que hoje em dia temos muito menos mulheres na Produção Musical do que homens, mas para este projeto, em especial, além de já termos esta possibilidade restrita pelos números, ainda passavam pelo crivo da afinidade com a família Lee. Acredito que esta parcela feminina está em constante crescimento, e que ótimo! Eu mesma comecei a produzir agora. As meninas são muito capazes, precisam de todo o suporte, instrução e incentivo.

Virgula: De onde veio a inspiração para a música? Qual o primeiro contato com ela?

Mary: Sou filha de dois seres altamente musicais. Mãe cantora, compositora (Claudia Olivetti). Pai arranjador, maestro (Lincoln Olivetti). Foi a música que os uniu, portanto foi “A Música” que me fez existir. No meu quarto um berço, fraldas e um Minimoog Model D. Na sala uma TV a cores com 14 canais, um velocípede e um Fender Rhodes herdado de Billy Paul. No estúdio deveres de casa, na Studer adesivos de bichinhos e no quarto uma cama extra para quando Tim Maia quisesse descansar. Foi a vida que me empurrou para os caminhos que trilhei, eu somente segui a pauta que colocaram na estante!

Virgula: Muitas mulheres hoje cantam sobre o empoderamento feminino. Como vc vê esse assunto hoje em dia?

Mary: Assunto necessário, nunca deixará de ser. Se hoje temos mais liberdade e voz ativa do que ontem temos muito o que agradecer à mulheres como Rita Lee e muitas outras que um dia cantaram, escreveram e lutaram para dizer que somos cor de rosa sim, mas somos “ROSA CHOQUE”.

Virgula: Quais suas maiores influências na música brasileira? E internacional?

Mary: No Brasil posso citar Cassiano, Gil, Vinícius de Moraes, Céu, Mahmundi, Lucas Santanna, Barro, Baiana System, Liniker, Diogo Strauz e muito outros e outras. Na gringa Quincy Jones, Donny Hathaway, Gary McFarland, Paco de Lucía, H.E.R., Benny Signs, Tom Misch, Amber Mark, etc.

Virgula: Quais os novos projetos da Mary Olivetti?

Mary: Estou com 12 músicas em andamento, mas focando bastante nas 3 próximas. Além de meus próprios projetos vem algo interessante relativo à vida e obra de meu pai. O trabalho nunca pára, ainda bem!

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