O último dia de atrações musicais do Vivo Eletronika, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, provou que ainda há artistas no mundo capazes de surpreender (e muito) com performances ao vivo. E eles não estão necessariamente no radar de grandes festivais ou sob os holofotes da grande mídia.

A noite de sábado (19) tinha como maior atração a banda inglesa de electropop Ladytron. O quarteto, que influenciou de Lady Gaga a La Roux, cumpriu as expectativas do público, mas a tarefa de superá-las ficou com o artista canadense Rich Aucoin, que fez seu show logo em seguida.

O Ladytron se apresentou no Grande Teatro do Palácio das Artes, onde o público teve de dançar um pouco mais contido em razão dos assentos fixos, que limitaram o espaço. O teatro, com capacidade para 1,7 mil pessoas, chegou a cerca de dois terços da lotação.

A banda, que divulga seu quinto disco, Gravity The Seducer, abriu o show com Soft Power e International Dateline, faixas de seu disco mais conhecido, Witching Hour. Escolha sábia, pois o público se animou logo no início.

No melhor estilo Kraftwerk, os integrantes Reuben Wu, Daniel Hunt, Helen Marnie e Mira Aroyo executaram seus sintetizadores com expressões faciais quase robóticas. Com o grupo passando por uma fase sonora sem guitarras ou baixo, o único instrumento “orgânico” em palco foi o simples kit de bateria acústica, tocado por um músico contratado. Eles mal se comunicaram com o público e mostraram sinais de cansaço da intensa turnê, mas entregaram o que as pessoas queriam ouvir.

Seventeen, High Rise e a nova faixa de trabalho Mirage estavam no setlist. Para fechar bem, o Ladytron tocou, como última música do bis, Destroy Everything You Touch, provavelmente a canção mais esperada. Helen Marnie até se entusiasmou um pouco mais ao cantar “destrua tudo o que você tocar, hoje/ Destrua-me dessa maneira”.

Com este ‘gancho de destruição’, o público deixou o Grande Teatro e adentrou o Foyer, espaço vizinho, onde o insano Rich Aucoin começava seu show. O rapaz, que havia se apresentado no Rio de Janeiro e dormido apenas duas horas na noite anterior, presenteou o público com uma performance visceral de rock com elementos eletrônicos.

O canadense, acompanhado por um baterista e um baixista, cantou no meio do público, pulou como louco, subiu nas caixas de som e celebrou o momento de forma frenética. Ao começo de cada música, Rich ensinava os refrões pegajosos, para que as pessoas cantassem junto. Undead, Brian Wilson is A.L.i.V.E e 4 More Years – cujo refrão foi adaptado para o português como “mais quatro anos” – foram alguns dos pontos altos. Era impossível não mexer os pés ao som das batidas dançantes.

Rich ainda realizou um “mosh” em cima de uma prancha de surfe, sendo carregado pelo público, e jogou um paraquedas sobre as pessoas que assistiam ao show. Um verdadeiro performer. “Os brasileiros têm uma energia incrível”, elegiou o artista, em conversa com o Virgula Música após o show, exausto. Ele afirma já ter sido convidado para uma nova edição do evento.

A edição de 2011 do festival Vivo Eletronika em Belo Horizonte, cuja proposta é justamente apontar novas tendências musicais a audiovisuais, contou ainda com apresentações da banda mexicana Nortec, da alemã Surtek, das americanas Kisses e Glasser, das brasileiras Objeto Amarelo e SP Underground, entre outras. O roqueiro veterano Rubinho Troller, que hoje vive em Londres, veio ao Brasil especialmente para realizar o show de lançamento de seu disco Stinkin Like a Brazilian, produzido por John Ulhoa, do Pato Fu.

O Eletronika já trouxe a Belo Horizonte artistas como Mogwaii, DJ Marlboro, DJ Marky e LCD Soundsystem. “Para conhecermos os artistas, fazemos muita viagem, frequentamos festivais, pesquisamos”, conta Marcos Boffa, responsável pela produção da parte musical do evento. “Estive recentemente no Great Escape, em Brighton, e no Berlin Festival. Descobri o Rich Aucoin por causa de uma reportagem que falava sobre os cinco shows imperdíveis do festival SXSW. A parte performática dele me interessou bastante. É importante trazer coisas que geralmente não são vistas em Belo Horizonte”, disse Boffa.

Em 2011, o Vivo Eletronika foi levado pela primeira vez a Belém e ao Rio de Janeiro. De acordo com Boffa, o festival deve chegar a Salvador em maio.

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