A grande novidade da música nacional nos anos 90 não surgiu no rádio, e sim na televisão. O nascimento da MTV Brasil, em 1990, permitiu que novas bandas coquistassem um espaço nunca antes visto, e renovava o público de artistas consagrados no passado.

Entre os grandes artistas nacionais que tiveram destaque na MTV estão os mineiros do Skank, misturando o rock com ritmos jamaicanos, o funk-pop do Jota Quest e o experimentalismo do Pato Fu. Mais pra cima no mapa, um importante cenário musical ganhou força: o manguebeat, liderado pelos pernambucanos Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Aliando guitarras e percussão nordestina a questionamentos sociais, o movimento ganhou público e crítica.



A irreverência também ganhou força nos anos 90. Na primeira metade da década, os brasilienses do Raimundos conquistaram as massas com o “forró-core”, um hardcore com pitadas regionais, e os Mamonas Assassinas venderam milhões de cópias apoiados no humor escrachado, antes do fim trágico de uma carreira curta e espetacular.

O rap também fez parceria com o rock, desde as críticas humoradas de Gabriel, o Pensador, à defesa da legalização da maconha feita pelo Planet Hemp. Também misturando o rap com o rock e o reggae, O Rappa ganhou destaque nacional pelas letras politizadas, e o Charlie Brown Jr. usou o estilo para se tornar referência do “skate-rock” no Brasil.



O metal pesado também fez escola. O Sepultura saiu de Belo Horizonte para se tornar uma das mais populares bandas de metal da história, aliando vocais agressivos com ritmos indígenas e africanos. De São Paulo, surgiu o Angra, misturando música clássica com power metal e elementos brasileiros, produzindo um power metal que conquistou muitos adeptos na Europa e na Ásia.

Mas a MPB e a bossa nova também foram essenciais para a construção do cenário musical brasileiro nos anos 90. Além do talento provocativo de Cássia Eller, os cariocas do Los Hermanos combinaram o indie rock com as melodias de Chico Buarque e Tom Jobim.




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