Para os nerds da política, as eleições são uma espécie de Copa do Mundo. Eles são capazes de lembrar de jingles de tempos remotos, mesmo que sejam da época que nem haviam nascido. Pode soar esquisito para quem acha tudo isso bobagem, mas como já ensinava o filósofo Platão: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”.

Se a música está presente em tudo, nas eleições não seria diferente. Desta maneira, o Virgula levantou alguns momentos em que as eleições se aproximaram realmente da definição clichê “festa da democracia” e tornaram-se parte do mundo pop.

Começando por Getúlio Vargas (1882-1954). Retrato do Velho foi jingle da campanha à presidência em 1950. Ele que esteve por trás da associação do samba como identidade nacional, optou por um marchinha carnavalesca e se deu bem. Quatro anos depois, no entanto, como o político gaúcho escreveu na sua carta testamento, Getúlio sairia da vida para entrar para história. 

“Fi-lo porque qui-lo”, diria Jânio Quadros (1917-1992), se alguém perguntasse sobre esse jingle, também em formato de marchinha. Deu certo. Ele foi conduzido à presidência em 1960.

Após um longo e sangrento inverno sob a ditadura militar, quando não havia eleições e muito menos musiquinhas, as eleições presidenciais de 1989 foram históricas também do ponto de vista dos jingles. Vários se eternizaram.

Guilherme Afif Domingos, atual vice-governador de São Paulo e ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, hoje no PSD, protagonizou seu grande momento com Juntos Chegaremos Lá.

Ulysses Guimarães (1916-1992) tentou retomar a vibe getulista de orgulho pela terceira idade com Bote Fé no Velhinho

Mário Covas (1930-2001), um dos fundadores do MDB e PSDB, optou por uma balada capaz de emocionar seus eleitores que àquela altura choravam de felicidade pela retomada da vida democrática e do voto livre e direto.

Nesse mesmo ano, Covas também soltou essa:

Ainda em 89, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno. O jingle Lula Lá, de Hilton Acioli, música também conhecida como Sem Medo de ser Feliz, no entanto, tornou-se espécie de hino do petismo e do lulismo.

Criado em 1984, o jingle de José Maria Eymael (PSDC), aquele do “ei, ei, Eymael” também seguiu a linha das marchinas inaguradas com Getúlio e Jânio, nunca antes nem depois as músicas de políticos, no entanto, conseguiram emplacar um refrão tão chiclete.

Chegando às eleições atuais, o palhaço e comediante Tiririca (PR) voltou a chamar atenção com paródias, desta vez com O Portão de Roberto Carlos e Erasmo.

Tudo bem que a política não precisaria ser tão sisuda. Talvez, no entanto, tenham levado essa história de festa da democracia um pouco longe. Não queira protestar votando em candidatos engraçadinhos ou que você conhece da TV.

 Proteste escolhendo candidatos preparados e comprometidos com a coisa pública. Vote consciente.

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