Quem chegou cedo ao segundo dia de Sónar acompanhou uma especial abertura completamente  dedicada à música brasileira. Com o público chegando aos poucos, o palco Village, abrigado pelo Parque Anhembi, em São Paulo, recebeu o set apimentado do DJ Dago Donato, enquanto Zé Rolê, do projeto Psilosamples, abria os trabalhos no palco Hall.

Na sequência foi a vez de Silva mostrar canções como A Visita, acompanhada de violino, e Imergir, que fizeram de seu auto-intitulado EP um dos trabalhos mais comentados de 2011. Com sua música mais intimista, o capaixaba abriu a noite marcada por grandes sucessos de público como JusticeCee Lo Green, além de trabalhos minimalistas como de James Blake ao vivo e a dupla Alva Noto & Ryuichi Sakamoto. 

O tecnobrega no Sónar SP

O responsável por animar o público no início da noite foi o quarteto paraense Gang do Eletro. Formado pelo DJ Waldo Squash, o nome por trás das batidas envolventes de Gaby Amarantos, e pelos cantores Marcos Maderito, William Lore e Keila Gentil, a banda subiu ao palco Village e mostrou hits como Treme e a conhecida versão tecnobrega de Panamericano – We No Speak Americano, da dupla australiana Yolanda Be Cool – que também faz parte do setlist de Gaby.

Com um figurino colorido e maquiagem ativada pela luz negra – algo entre Lady Gaga e David Bowie – a banda conversou com o público, dançou o tempo todo e subiu nas caixas de som, atitude não muito comuns para um festival com seus DJs geralmente concentrados em suas pick-ups. “O que interessa é a gente se divertir. Quando a gente se diverte, o público também se empolga”, comentou o DJ Wald Squash ao Virgula Festivais após sua apresentação.

“Estavamos muito ansiosos para essa apresentação, mas parece que foi tudo bem. Nunca pensei em tocar em São Paulo, quanto mais em um festival como esse. Nossa música é feita na periferia, para gente da periferia. Fico muito feliz em perceber que nosso trabalho está vencendo barreiras”, completou o paraense responsável por atrair milhares de pessoas para as festas de aparelhagens em Belém.

O minimalismo de Alva Noto & Ryuichi Sakamoto e James Blake 

Enquanto fãs e curiosos disputavam um espaço dentro do teatro que recebe o palco SónarHall, a equipe técnica fazia os últimos acertos nos equipamentos da dupla Alva Noto & Ryuichi Sakamoto – formada pelo artista alemão Carsten Nicolai, mais conhecido como Alva Noto, e o pianista japonês Ryuichi Sakamoto, ganhador do Oscar pela trilha sonora de O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci.

Em meio a pedidos de silêncio do público, os músicos mostram canções do álbum Summvs e sua elogiada combinação entre acústico e eletrônico. Enquanto o compositor japonês toca piano, Alva Noto opera computadores e cria imagens em tempo real, como uma leitura visual do som. A sensação é de que as texturas minimalistas tomam vida a cada grave, cada toque do piano e a cada imagem projetada pelo alemão. É uma experiência sensorial completa.

Alva Noto & Ryuichi Sakamoto foram ovacionados pelo público que lotava o auditório. 

Outro artista que investe em texturas minimalistas é o britânico James Blake, que fez uma dobradinha no festival Sónar, abrindo o palco principal do evento na noite de sexta com set animado, e voltou para uma apresentação ao vivo no segundo dia de shows.

Também no aconchegante palco SónarHall, Blake apresentou as faixas de seu aclamado auto-intitulado álbum de estreia, como Limit to Your Love e The Wilhelm Scream. Com sua voz poderosa e uma banda afiada, o produtor criou um clima intimista misturando seu dubstep permeado por estilos como R&B e o soul music. O britânico, sem dúvida, foi um dos maiores destaques do evento. 

Cee Lo Green e Justice, destaques do palco Club 

Após cancelar um show que faria em São Paulo no festival Urban Music Festival, em 2011, Cee Lo Green foi um dos destaques do palco principal do Sónar SP – ou era para ser. Em companhia de três backing vocals, o norte-americano abriu sua apresentação com a faixa Bright Lights Bigger City e se esforçou para manter o público animado, mesmo com problemas no som que tornavam praticamnete impossível ouvir o que ele cantava.

Já no meio da apresentação – após um cover de Let’s Dance, de David Bowie – o cantor chamou para se juntar a ele no palco três rappers, fato que esfriou ainda mais a  sua apresentação. O público só voltou a se empolgar nas duas últimas faixas, com os hits Crazy, da dupla Gnarls Barkley, da qual ele fazia parte, e Fuck You.

Em mais uma apresentação no Brasil, agora para divulgar o novo álbum Audio, Video, Disco, o duo francês Justice levou o público ao delírio com o show mais lotado do segundo dia do evento. Os DJs Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, com sua conhecida cruz iluminada no meio do palco, fizeram uma apresentação bem diferente de que mostraram em 2008, sua última passagem no país. 

Com bons efeitos visuais, uma telão exibia projeções que acompanhavam o ritmo da música. Para não deixar de mostrar as faixas de seu primeiro álbum (Cross – 2007), a dupla usou as batidas de músicas novas como Civilization, para apresentar os samples de D.A.N.C.E. e DVNO. Ovacionados pelo público, o Justice mostrou em um show cheio de energia o motivo de ser um dos headliners do evento.

Com um saldo positivo, o festival Sónar SP mostrou que é sim possível fazer um festival com excelente infraestrutura, música de qualidade e um bom público. Aguardo ansiosamente uma próxima edição em 2013.

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