Neste domingo (25), os cariocas do Forfun chegam a São Paulo trazendo mais uma vez o show do primeiro DVD de sua carreira. Eles se apresentarão no Carioca Club, em show com os ingressos esgotados. Forfun Ao Vivo no Circo Voador foi gravado em 2012, em um dos palcos mais consagrados da música brasileira.

Com 13 anos de estrada, a banda financiou o seu primeiro registro em vídeo por meio de crowdfunding, arrecadando 187 mil reais — nada mal para um grupo que, como tantos no underground, costumava vender cds e camisetas para conseguir uma grana a mais. “Ninguém dependia da música, todo mundo tinha outro emprego”, conta Vitor Isensee, responsável pelos teclados e sintetizadores e um dos fundadores do Forfun. “Se com o dinheiro que a gente ganhava com a música no início da carreira a gente só conseguia pagar o quarto de hotel que ia dormir depois do show, é um puta reconhecimento, é muito bom ver isso”, ele comenta sobre a cifra arrecadada para a gravação do DVD.

Depois de um começo de carreira praticando o pop-punk que dominava o rock adolescente do ínicio dos anos 2000, o Forfun deu uma guinada no seu estilo e partiu para uma miscelânea de ritmos — ao rock que dava base ao seu som, os cariocas acrescentaram o reggae, ritmos latinos e toques eletrônicos. “Nós tentamos fazer um bom retrato da nossa carreira no repertório do DVD”, explica Vitor. “Equilibramos os gostos dos quatro integrantes e colocamos as músicas que funcionam bem nos shows”. A banda tem três álbuns de estúdio lançados: Teoria Dinâmica Gastativa (2005), Polisenso (2008) e Alegria Compartilhada (2011). Polisenso marcou a virada sonora do Forfun — produzido pelos próprios caras na Casinha, onde eles moram e têm seu estúdio, no Rio de Janeiro, ele trouxe uma sonoridade e temática de letras bem diferente da do seu início de carreira.

Se com Polisenso a ordem foi o faça você mesmo, com Teoria Dinâmica Gastativa e Alegria Compartilhada, eles tiveram nomes de peso comandando a produção: Liminha, no primeiro álbum, e Daniel Ganjaman, no último. “O Daniel Ganjaman e o Liminha são os maiores nomes, cada um da sua geração”, opina Vitor. O tecladista conta que o ex-guitarrista do Mutantes foi o responsável pela introdução do Forfun no mainstream. “Foi o Liminha quem levou o nosso trabalho para as rádios, quem foi  para a MTV, que sempre esteve de portas abertas para ele, para falar da gente”, ele conta. “A gente costuma dizer que o Liminha é o nosso monge. Ele tinha todos os melhores equipamentos no estúdio dele. E entrar lá e ver todos aqueles discos clássicos na parade, Titãs, Paramas do Sucesso, Gilberto Gil… Eu fiquei maravilhado”, ele lembra. Liminha, inclusive, participou do DVD Forfun Ao Vivo no Circo Voador em uma faixa instrumental, batizada pela banda de Limex Jam.

Após Ganjaman trabalhar com eles no álbum Alegria Compartilhada, o produtor também entrou para o círculo de amigos da banda. “O Ganjaman se tornou nosso amigo, e trouxe muitos outros amigos para a gente também”, disse Vitor. “Um deles é o Criolo. No ano passado, os dois foram a um show nosso aí em São Paulo, subiram no palco e cantaram com a gente”, ele lembra. “O Ganjaman não deixa nada a dever a nenhum produtor internacional”, Vitor fala sobre trabalhar com o produtor. “Ao gravar um disco, você tem que acomodar as vontades de todo mundo da banda, de pessoas diferentes. E ele faz isso com muita naturalidade e elegância”.

Outro nome que marcou a carreira do Forfun foi o de Chorão, líder do Charlie Brown Jr falecido no ano passado. Ele convidou a banda para gravar uma música para o álbum Ritmo, Ritual e Responsa (2007), O Universo a Nosso Favor. “Em 2006, nós fizemos um show no Skate Park, a pista de skate do Chorão em Santos. Nós já nos conhecíamos de termos nos cumprimentado em alguns festivais, mas nunca tínhamos trocado uma ideia. Depois do show, ele chamou a gente no estúdio que ficava no segundo andar da pista. Contou que o Charlie Brown Jr estava gravando um álbum que teria bastantes participações e mostrou pra gente uma gravação — eles já tinham as bases e as partes que o Chorão canta na música. Ele mandou o arquivo pra gente e eu escrevi a maioria das partes que o Rodrigo [Costa, vocal e baixo do Forfun] e o Danilo [Cutrim, vocal e guitarra do Forfun] cantam, e o Danilo fez o riffle de guitarra que acompanha o Thiago Castanho [guitarrista do Charle Brown Jr], que, aliás, é um dos maiores guitarristas do país”, conta Vitor sobre o processo de gravação da faixa. “É bem explícito que a música é uma parceria, uma união”, conclui. “Fazer uma música com o Charlie Brown Jr, uma banda que eu era fã desde os 14 anos de idade, foi muito foda. Depois da morte do Chorão, a do Champignon… A gente passa a sentir mais a falta das pessoas quando elas se vão, é natural do ser humano isso. O Charlie Brown é uma banda que fez muito a minha cabeça, e ainda vai fazer a cabeça de muita gente, tenho certeza”, ele afirmou.

Vitor é o caçula da banda. Quando o Forfun começou, ele tinha apenas 17 anos e sonhava em ser piloto de avião. “Com 21 anos, eu já tinha licença de piloto comercial. Mas quando o Liminha chamou a gente para gravar o Teoria Dinâmica Gastativa, eu tive que escolher — e escolhi a música”, ele conta. Entre as mudanças de sonoridade do Forfun, Vitor assumiu um novo papel dentro da banda. Ele, que havia começado com o baixo e se estabelecido na guitarra, passou a guiar os teclados e os sintetizadores. “O estúdio do Liminha era muito bem equipado”, Vitor se lembrou das sessões de gravação do Teoria Dinâmica Gastativa. “Ele sempre deixou a gente muito a vontade lá, para fuçar nas coisas, fazer o que a gente quisesse. Foi então que eu comecei a mexer nos sintetizadores e teclados. Quando fomos gravar o Polisenso, eu falei para os caras que gostava muito mais disso do que de guitarra, e eles me apoiaram. O teclado e o sintetizador acrescentam muito mais a nossa música, principalmente considerando os estilos diferentes que estamos fazendo agora. Eles possibilitam um leque maior de sons”, ele explica.

De acordo com Vitor, a pré-produção do próximo álbum do Forfun já está bem adiantada. “A ideia é entrar em estúdio em março, logo depois do carnaval, e lançar no segundo semestre de 2014. O material está bem adiantado, na verdade, a gente tem mais coisa do que precisa. Precisamos agora escolher quais vão ser as músicas, o que vai ficar de fora”, ele conta. O trabalho será produzido por Rafael Ramos, que já trabalhou com os cariocas no EP Solto, que foi lançado junto com o DVD. “Ele é um cara jovem, mas que já fez muita coisa legal, como Dead Fish, Vivendo do Ócio, Pitty… ”, exemplifica Vitor. O álbum novo será lançado pela DeckDisc. Vitor destaca, ainda, a participação de Hélio Bentes, vocalista da banda Ponto de Equilíbrio, na música Malícia, que ele compôs com os cariocas.

 

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