“Uma colcha de retalhos”. A expressão é perfeita para descrever o trabalho do produtor paulistano Gui Boratto, um dos maiores nomes da cena eletrônica mundial, na Music Mob, ação promovida por uma marca de bebida alcoólica.

Durante dois dias, a marca colocou instrumentos musicais como guitarra, baixo, pandeiro e até berimbau à disposição de quem quisesse se aventurar. Não precisava nem saber tocar: bastava ir a um dos quiosques espalhados por São Paulo, pegar um dos instrumentos e gravar alguns takes. Boratto compilou os melhores samples e criou a faixa Open Beats, cujo clipe você assiste em primeira mão aqui no Virgula Música.

“Eu fiquei surpreso por ter dado certo, porque a chance de dar errado era imensa”, confessa o produtor. “Foi um trabalho muito demorado. Eu tive que escutar tudo de tudo, porque às vezes o cara fazia várias coisas em um take só – começava de um jeito, aí mudava. Eu levei pelos menos 3 ou 4 dias para selecionar o que eu achei interessante”. 

Segundo Boratto, havia o risco de que os samples não dessem certo, mas a espontaneidade dos sons gravados resultou em samples interessantes.

“Eu estava com medo, porque ali não era só quem tocava. Tinha muita gente que passou ali de gaiato e resolveu pegar um instrumento e gravar”, conta. “Mas isso foi legal, porque umas coisas super inusitadas apareceram, e fiz questão de que fosse real”.

Das centenas de samples gravados, Open Beats usou cerca de uma dúzia. Mas criar a faixa não dependia apenas de estruturar uma colagem de sons, mas fazer tudo fluir naturalmente.

“Uma linha de guitarra que eu tinha escolhido, por exemplo, não casava com o baixo. Achei uma outra, mas o tom também não casava, e tive que mudar. E aí foi uma coisa meio que de tentativa e erro. Às vezes tinha tons diferentes, andamentos diferentes. Foi trabalhoso, mas fiquei feliz com o resultado”, descreve.

Além da versão editada – que você assiste no vídeo abaixo, Gui ainda desenvolveu uma versão estendida da faixa, ideal para remixes e DJ sets.

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