Uma das personalidades mais cultuadas no ‘hall de revelações da nova música brasileira’, a paulistana Tulipa Ruiz apresenta, nesta quinta-feira (13), no Cine Joia, em São Paulo, o show do álbum Tudo Tanto (2012). O destaque fica por conta de Megalomania, seu novo single, que fala sobre ‘pessoas que têm o rei na barriga’.

“A música pintou em uma passagem de som, durante uma brincadeira com a palavra. Ela é gostosa de falar, ritmada, ‘me-ga-lo-ma-nia’! Parece um exercício vocal. Daí, uma vez com a palavra, foi só começar a pensar em tipos que se encaixavam nela. É uma “música-carapuça”. Serve ou não serve. E veste quem quer”, conta a cantora e compositora em entrevista ao Virgula Música.

Classificada pela compositora como um “pop dançante de verão”, a faixa tem uma pegada animada e que faz o ouvinte lembrar-se do carnaval. Executada para o público pela primeira vez durante um show no Rio, que aconteceu no Circo Voador, no começo do mês, Tulipa agora trabalha com a sua banda em estúdio para lançar a faixa oficialmente. Megalomania será disponibilizada para download, no site oficial da cantora, uma semana antes do carnaval.

Em entrevista ao Virgula Música, Tulipa Ruiz falou sobre os próximos passos de sua carreira, políticas públicas e, é claro, carnaval! Leia na integra abaixo:

Você tem uma nova música de trabalho, Megalomania, que é uma homenagem aos que têm o ‘rei na barriga’, como surgiu essa composição?

A música pintou em uma passagem de som, durante uma brincadeira com a palavra. Ela é gostosa de falar, ritmada, me-ga-lo-ma-nia! Parece um exercício vocal. Daí, uma vez com a palavra, foi só começar a pensar em tipos que se encaixavam nela.

Seria um recado para alguém?
É uma “música-carapuça”. Serve ou não serve. E veste quem quer.

O seu último trabalho de estúdio, Tudo Tanto, foi lançado em 2012. Ele é essencialmente diferente de Efêmera (2010), seu disco de estreia, que tem uma pegada mais ‘ensolarada’ enquanto Tudo Tanto é mais introspectivo. Em 2014, os fãs podem esperar mais mudanças e um novo álbum?

Para mim o Efêmera é um disco de fotografias e em Tudo Tanto as fotografias viraram radiografias. Ele é mais subjetivo, mais denso. É um disco de camadas. A sonoridade que desenvolvemos durante a turnê de Efêmera desembocou nesse disco novo. Nós nos fortalecemos como banda, experimentamos coisas novas, timbramos mais. Tudo Tanto é resultado dessa convivência em grupo.

Gravar um disco é como fotografar um som. Tem o antes e o depois. Os arranjos podem mudar, instrumentos novos podem surgir, novos timbres, mapas. Coisas acontecem durante uma turnê, as próprias músicas mudam. Podem ficar mais leves, mais pesadas. E, para mim, esse é um dos grandes baratos da estrada. O repertório é mutante.

Este ano vou continuar vivendo, desfrutando e descobrindo o Tudo Tanto na estrada. No meio disso podem aparecer coisas novas, como Megalomania, que eu não sei se é uma música de disco. Tem música que é só de show. Este ano vou gravar mais clipes, registrar o show em DVD e dar sequência a turnê nacional e internacional.

Para você, o processo de criação da música é algo mágico? Misterioso?

É um mistério porque ela pode vir de várias formas. No exercício da composição, em inspirações relâmpago. Não existe uma fórmula específica, um bê-á-bá. A música acontece. Em quem a compõe e em quem a escuta. É um mistério cheio de sutilezas. E que bate de formas diferentes dentro de cada um.

Tem algum repertório de outro artista que você gostaria de interpretar?
Os meninos do Do Amor me chamaram para cantar Nina Hagen em algum momento das nossas vidas. Pilhei na hora!

O jornal britânico The Guardian a classificou como “Tulipa é uma jovem cantora e compositora que tem todos os ingredientes para ser a próxima grande celebridade brasileira”. É uma grande pressão carregar o título de ‘salvação da música brasileira’?

Para mim foi especial quando comprei o jornal e li. Estava muito nervosa, era minha primeira turnê no exterior. O jornalista do The Guardian tinha ido ao show em Londres, mas eu não sabia se ia sair alguma coisa. Foi interessante ler um parecer de alguém que é de fora, que tem um olhar estrangeiro. Por meio da música a gente se comunicou. E depois ele me elogiou em um dos jornais mais respeitados do mundo. A sensação é de frio na barriga constante!

O jornal também cita a sua presença de palco como um ‘diferencial’. Em que você pensa quando está lá em cima?
Para mim o palco é um lugar de poder, no sentido de possibilidades. Um espaço cênico onde tudo que acontece nele é linguagem. Todos os acertos, todos os erros. E quando estou nele me concentro nestas ideias e também me envolvo com as pessoas que estão me assistindo. Um show é sempre uma troca entre o artista e seu público. Fico ‘ligadaça’ nas pessoas durante meu show. É como se elas fizessem o show comigo.

Tulipa Ruiz tem uma grande ligação com vários tipos de artes. Além da Tulipa cantora, há também uma Tulipa craque em artes plásticas. O que veio primeiro: a música ou as ilustrações?
Comecei a gostar de desenhar quando descobri os discos dos meus pais e me apaixonei primeiro pelas capas. Primeiro olhava a imagem do som, para depois ligar a vitrola. Mas no decorrer da vida as duas coisas sempre andaram em paralelo. A música tem sido minha maior prioridade, mas sempre desenho quando o tempo conspira. E faço ilustrações mensais para o jornal Le Monde Diplomatique Brasil.

O seu pai, Luiz Chagas, e seu irmão, Gustavo Ruiz, fazem parte da sua banda. Como é trabalhar em família?
Eu e o Gustavo crescemos ouvindo a mesma vitrola, os mesmos discos, temos um repertório musical muito parecido, então é fácil fazermos coisas juntos, por conta dessa cumplicidade de interesses. Já meu pai é jornalista e guitarrista, sou influenciada por esses dois lados dele. Ele é a pessoa que mais mostra novidades pra gente. Isso é incrível!

Você escolheu São Paulo para ser sua cidade. Não foi para o Rio, que é um caminho muito comum aos músicos. Por quê? São Paulo é uma cidade que te inspira?
Meu pai é paulistano. Tocou com Itamar Assumpção, faz parte da Vanguarda Paulista. É guitarrista, jornalista e muito urbano. Quando quis sair de São Lourenço, que é uma cidade com uns 40 mil habitantes, o desafio de viver na Paulicéia me instigou e me aproximou do som que meu pai fazia.

Você faz parte do bloco de carnaval Acadêmicos do Baixo Augusta. Como rolou esse convite?
Recebi o convite do Alê Youssef e achei super legal. Sou frequentadora da Augusta, moradora do bairro, cantei milhares de vezes no Studio SP e vi o bloco nascer. Sou a madrinha do bloco, a Alessandra Negrini a rainha da bateria, Marcelo Rubens Paiva o porta-estandarte e Simoninha o puxador do samba. Pense numa folia!

São Paulo vive um momento de transição. O Prefeito Haddad assinou, recentemente, um decreto que regulamenta o carnaval de rua na cidade. Há festa ao ar livre em praças e parques. Somado a isso, você faz parte de uma geração conhecida por fazer uma música ‘ensolarada’ e que leva as pessoas a quererem sair de casa. Você enxerga alguma conexão entre a música e a mudança no comportamento dos jovens paulistanos (que consomem esse tipo de música)?

A ocupação dos espaços públicos é uma realidade, uma necessidade de todos. É fundamental o apoio dos governantes em relação a esse desejo coletivo. São Paulo tem tido cada vez mais eventos culturais nas ruas. E as pessoas se motivam com estas ocupações, querem mais. Torcemos pela abertura do Parque Augusta e que todos os parques em São Paulo tenham portas abertas para as mais variadas expressões.

SERVIÇO: 

SummerStage apresenta Tulipa Ruiz @ Cine Joia
Quinta-feira, 13 de fevereiro
Abertura da bilheteria: 20h
Abertura da casa: 21h
Horário previsto do show: 23h
Valores:
1º Lote: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia-entrada);
2º Lote: R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia-entrada);
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade 
www.cinejoia.tv

Sem mais artigos