Jesus and Mary Chain em São Paulo

Jesus fez o que esperava-se dele: um milagre. Neste domingo (25), no Memorial da América Latina, numa noite fria e chuvosa, para escocês nenhum botar defeito, nós, “romeiros darks” que estavámos ali com nossas capas de chuvas miseráveis, testemunhamos uma parede de graves e distorções puxando o fundo das nossas almas, como uma arrastão psíquico.  

Público no show, em foto de Vitor Angelo

O Cultura Inglesa Festival não poderia escolher banda melhor para representar este equilíbrio tipicamente britânico entre a sujeira e o sublime. Do Jesus and Mary Chain também sempre se espera shows desencontrados, o que os irmãos Jim e William Reid também entregaram.

Em três momentos, Jim mandou parar e voltar. Eles estavam claramente desensaiados. Bom para o pessoal do Rio, onde a banda se apresenta na terça, que vai ver um show mais redondinho.


O set, palavra da salvação

Mas o que é “errado”, quando se fala em noise? Microfonias apitando? Isso, provavelmente, tem mais a ver com a falta de passagem de som, com problemas de organização. Também, nesse ponto, não foi legal divulgar que o show começava às 14h, quando a principal atração da noite só entraria às 19h30.

Uma hora e dez minutos depois, no entanto, todos nós sairíamos pensando, ensopados: “Do jeito que eu me sinto esssa noite, poderia morrer que não ligaria”. Não sei se minha alma foi salva, desconfio que não, mas não é toda noite que você encontra Jesus. Aleluia!

Veja o setlist do show

Snakedriver
Head On
Far Gone and Out
Between Planets
Blues From a Gun
Teenage Lust
Sidewalking
Cracking Up
All Things Must Pass
Some Candy Talking
Happy When It Rains
Halfway to Crazy
Just Like Honey
Encore:
The Hardest Walk
Taste of Cindy
Reverence

Jesus and Mary Chain salva 'romaria dark' sob chuva com graves e distorções

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