O Linkin Park é uma das mais populares bandas de rock do planeta desde o lançamento de Hybrid Theory, o disco de estreia do sexteto, em 2000. Após reaplicar a fórmula do anterior em Meteora, lançado em 2003, a banda decidiu se reinventar, e renegou a tradicional mistura de rock e hip-hop em Minutes to Midnight, de 2007.

Em A Thousand Suns, de 2010, o grupo ousou ainda mais, e criou um álbum conceitual muito influenciado por música eletrônica. Apesar de contentes pela decisão da banda de não se acomodar, muitos fãs do grupo se perguntavam se um dia as guitarras pesadas voltariam a ser o foco da atenção de Chester Bennington, Mike Shinoda, Brad Delson, Rob Bourdon, Dave “Phoenix” Farrell e Joe Hahn. A resposta veio em 2012, com o lançamento do quinto álbum do grupo, Living Things.

“Sentimos a necessidade de fazer um álbum que incorporasse tudo o que fizemos no passado, mas que ao mesmo tempo fosse algo novo e relevante”, explica o guitarrista Brad Delson em entrevista ao Virgula Música. Apesar de não ter o impacto dos primeiros álbuns, Living Things é praticamente um amálgama do peso deles com os climas atmosféricos e as batidas eletrônicas dos dois últimos.

Prestes a desembarcar no Brasil pela terceira vez (confira o serviço no fim da página), o grupo parece confortável na própria pele pela primeira vez desde Minutes to Midnight, e Brad assegura que ao vivo, as novidades casam muito bem com os hits antigos: “É um show muito divertido para os nossos fãs”.

Virgula Música – Depois de experimentar tanto em Minutes to Midnight e principalmente em A Thousand Suns, o Linkin Park soa um pouco mais tradicional em Living Things. O que vocês aprenderam com os álbuns anteriores e decidiram aplicar no novo trabalho?

Brad Delson – Em Hybrid Theory nós ajudamos a consolidar um estilo que misturava vários outros de uma forma que não era muito clara para a gente na época. Fazíamos parte de uma nova onda de bandas que misturavam elementos de rock e hip-hop, e muitas daquelas bandas acabaram ficando para trás. Tivemos muita sorte de fazer tanto sucesso com aquele álbum e também com Meteora, que tem muito em comum como o nosso primeiro álbum. Quando começamos a pensar em produtores para Minutes to Midnight, Rick Rubin [Beastie Boys, Red Hot Chili Peppers, System of a Down] nos chamou a atenção por acreditar que não precisávamos fazer um álbum que soasse como os dois primeiros. O principal conselho dele foi que buscássemos o nosso melhor, independentemente de como soasse. Nosso gosto musical também havia mudado bastante desde os dois primeiros álbuns, e Rick acreditava que devíamos dar um crédito aos nossos fãs – eles também tinham crescido, e o gosto musical deles também havia mudado. Em A Thousand Suns levamos isso ainda mais a sério, e concordo com você, é um disco muito mais experimental. Neste novo álbum, Living Things, não estávamos pensando em mudar, só queríamos ser nós mesmos.

Virgula Música – Em algum momento vocês se preocuparam com a reação dos fãs a todas essas mudanças?

Brad Delson – Sim, mas fizemos isso de qualquer jeito (risos). A alternativa era fazer um álbum que soasse como uma cópia dos primeiros, e para um artista continuar relevante, ele precisa evoluir. É o que tentamos fazer durante toda a nossa carreira. Tivemos a sorte se conseguir viver de música, e por isso temos um compromisso com nós mesmos de sempre entrar em um estúdio com a intenção de fazer o melhor para a banda, algo que seja sempre revolucionário para a gente mesmo.

Virgula Música – Quando o Linkin Park começou, os vocais eram muito bem definidos: Mike fazia os raps e Chester gritava. Hoje em dia os dois soam muito mais versáteis, e até você passou a cantar [na faixa Until It Breaks, do novo álbum]. Você pode explicar o que houve?

Brad Delson – É, essa é uma visão bem precisa do que aconteceu. A especialidade de Mike sempre foi o rap, e Chester gostava mais de cantar. Mas ao passar tanto tempo juntos, trabalhando em estúdio, a gente começa a se sentir confortável para brincar com outros instrumentos, e hoje o papel de cada um na banda é muito menos definido do que antes. Desde Minutes to Midnight sentimos que todos na banda podem contribuir com qualquer coisa, em qualquer instrumento. Não estamos interessados em quem tocou o quê, e sim no que é melhor para a música. Isso deixa tudo mais divertido. Eu gosto muito de poder tocar vários instrumentos e até cantar, como aconteceu neste disco. É muito mais empolgante trabalhar desta forma.

Virgula Música – Talvez por isso algumas pessoas tenham pensado que, pelo fato de as guitarras estarem mais presentes em Living Things, você tenha participado mais deste álbum que nos dois anteriores, o que não é verdade.

Brad DelsonLiving Things é muito mais explosivo, extrovertido, com faixas realmente baseadas nas guitarras. Mas em muitas dessas músicas, por exemplo, as guitarras foram gravadas pelo Mike. Tomamos uma decisão coletiva de fazer um álbum mais direto e impactante do que o antecessor, e a presença das guitarras ajuda nesse sentido.

Virgula Música – Da última vez que o Linkin Park tocou no Brasil [em novembro de 2010, no festival SWU], vocês haviam acabado de lançar A Thousand Suns. O que os fãs podem  esperar desta nova turnê? Como as músicas novas soam ao vivo?

Brad Delson – Nunca fizemos tantos shows no Brasil como faremos desta vez, e estamos muito animados de dividir não apenas as músicas de Living Things, mas todas as outras. O nosso repertório recente se mistura muito bem com as músicas mais antigas, então é um show muito divertido para os nossos fãs. As novas têm uma energia mais direta e visceral que funciona muito bem ao vivo. Há pouco tempo começamos a tocar Lost In The Echo nos nossos shows, e ela funciona muito bem. Burn It Down, Victimized e In My Remains também ficaram muito boas ao vivo.

Virgula Música – Recentemente, o Linkin Park se tornou a primeira banda de rock a somar 1 bilhão de visualizações no YouTube, quase três vezes mais que a segunda colocada, Red Hot Chili Peppers. Como vocês conseguiram isso?

Brad Delson – O que posso te dizer é que a internet sempre foi, desde o começo, a maior ferramenta que usamos para entrar em contato com os nosso fãs. Acompanhamos o crescimento da internet nos últimos anos, e tentamos entrar desde cedo nas novas ondas que acabam surgindo. A nossa página no Facebook é um bom exemplo, acho que somos a banda com o maior número de seguidores. Somos muitos gratos pelo o que conseguimos com a internet, especialmente por termos conseguido falar com gente do mundo inteiro – até lugares aos quais nunca fomos.

Serviço

Linkin Park no Brasil

07/10 – São Paulo
Local: Arena Anhembi

08 e 10/10 – Rio de Janeiro
Local: Citibank Hall

12/10 – Porto Alegre
Local: Gigantinho

Ingressos disponíveis no site da Tickets For Fun, nos pontos de venda oficiais ou pelo telefone 4003 5588.

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