Maior nome da eletrônica brasileira, o DJ Marky é conhecido tanto pela humildade, quanto pela sinceridade. Para ele, “fazer com que as pessoas gostem de música” é o principal ponto do Technostalgia.

O show em que o DJ regeu duas bandas como se fosse um maestro, e apresentou releituras de clássicos da eletrônica, pôs abaixo o palco Perry do Lollapalooza na sexta-feira (29) e ofuscou atrações internacionais.

Para Marky, “ultimamente, a nova geração está muito acostumada com hit de rádio, essas coisas”. “O que gente está tentando fazer é fortalecer a cena underground e colocar na cabeça das pessoas que não existe só house, não existe só David Guetta no mundo. Tem tecno, tem drum and bass, tem hip hop, tem muita coisa legal, não é só o que é mainstream que é bacana”, desabafa o músico ao Virgula Música.

Leia a seguir entrevista exclusiva em que Marky lembra quando fazia chover no Skol Beats, devido ao suor acumulado na tenda Movement, vê retrocesso na atenção dada à cena eletrônica brasileira e da noite paulistana e fala que os músicos do Technostalgia passaram a fazer parte da sua família. 

Lembrou o Skol Beats?

O Skol Beats é um caso à parte, lá eu fazia até chover, mas aqui eu não consegui fazer chover, não (risos). Mas, foi lotado, incrível, foi impressionante. Queria agradecer às pessoas que deram valor à verdadeira música, só tento fazer com que as pessoas gostem de música no final das contas.

Você acha que isto é uma resposta definitiva para aqueles que falam que o DJ não é músico?

Ah, eu não sou preocupado com isso, sabe? Eu ando com uma porrada de músicos e um monte de músicos quer trabalhar comigo tanto aqui, quanto lá fora. Eu faço remix pra todo mundo, acabei de fazer um remix pro Robert DeLong, então quer dizer, isso aí já não existe mais e faz muito tempo.

E em relação a ser valorizado dentro do próprio país?

Acho que ainda falta, ainda falta. A gente estava caminhando no começo dos anos 90, a gente tinha clubes bacanas, a gente pode destacar o Lov-E, que cada dia tinha uma noite. Hoje eu sinto que a noite de São Paulo falta alguma coisa.

Por exemplo, você vai sair só tem noites de um estilo. No final das contas eu acabo indo na Disco Baby, sacou? Que é bem mais legal.

Então quer dizer, é sério isso que eu tô falando, eu acabo indo na Disco Baby mesmo, primeiro que eu me divirto com meu filho e segundo é que pelo menos lá a gente pode tocar aquilo que quiser, pode tocar música de criança, drum and bass, o que quiser, a molecada dança, a molecada assimila muito fácil.

E, ultimamente, a nova geração está muito acostumada com hit de rádio, essas coisas. O que gente está tentando fazer é fortalecer a cena underground e colocar na cabeça das pessoas que não existe só house, não existe só David Guetta no mundo. Tem tecno, tem drum and bass, tem hip hop, tem muita coisa legal, não é só o que é mainstream que é bacana. 

Você pensa em fazer mais coisa com esta banda?

Olha, é um show caro porque se a gente for analisar são 18 músicos. Querer fazer eu queria fazer todo mês, mesmo, os caras viraram a minha família agora.

Mexeu com a sua percepção, a vontade de fazer som?

Eu aprendi muito com os músicos e acho que vice-versa. Não só eu mas meu amigo Patife, Drummagik, tocaram com músicos como o Xuxa, Zé Nigro, o BiD. Então, quer dizer, o BiD eu tô direto no estúdio dele, ele tá sempre produzindo alguma coisa eu tô sempre aprendo alguma coisa lá.

Quer dizer, os caras viraram minha família, meu. Poxa, eu queria fazer esse show diversas vezes.  

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