Um quinteto de rock, liderado por uma vocalista nitidamente desencanada com a aparência. Isso seria uma receita para o sucesso em uma época em que novas vozes femininas são sinônimos de corpo escultural e sensualidade? No caso do Alabama Shakes, sim!

Liderada pela talentosa Britanny Howard, a banda subiu ao palco Alternativo do festival Lollapalooza, neste sábado (30), e fez um dos melhores shows do dia – e olha que a concorrência é ninguém menos que Josh Homme e seu QOTSA. Formada há três anos em Athens, no estado norte-americano do Alabama, a banda lançou seu disco de estreia, Boys & Girls, em 2012, no qual pautou o repertório do show. 

O sucesso foi instantâneo. O grupo encontrou uma sonoridade forte entre a voz descomunal de Britanny, comparada muitas vezes à de Janis Joplin, e uma fusão de rock clássico, blues, soul, e música gospel norte-americana. No palco, isso tudo funciona de forma explosiva. 

A atuação da vocalista é de dar inveja em qualquer cantora pop. Howard se mostra habilidosa com a guitarra, brinca com a voz e sofre. Logo na abertura, com a conhecida Hold On, a intensidade com que ela interpreta os versos autobiográficos de uma jovem que não sabe se vai chegar aos 20 anos é de tirar o fôlego. 

“Estava muito nervosa antes de subir ao palco, mas já percebi isso foi desnecessário”, disse a cantora, tentado enxergar além do grande público que se apertava em torno do menor palco do festival – e também com a pior estrutura. Como durante todo o dia, o som estava baixo e as atrações destinadas a ele, subestimadas. 

Os problemas ficaram mínimos pelo esforço da banda e a alegria transparente da cantora. O Alabama Shakes ainda aproveitou para mostrar a boa Heavy Chevy, faixa bônus de uma versão deluxe de Boys & Girls não disponível no Brasil, que o público acompanhou com palmas ritmadas. 

“Vocês provavelmente nem devem conhecer o Alabama, mas o que importa é que estamos aqui. Foi o melhor show”, disse Britanny Howard antes de deixar o palco e receber aplausos animados de uma plateia que demorou para digerir a porrada sonora de exatos 60 minutos que os pegou em cheio. Nem mesmo a guitarra deixou de ecoar e a sensação de ‘quero mais’ – a melhor que se pode carregar de um show – tomou conta do ambiente. 

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