O domingo (06) no Lollapalooza Brasil, que acontece no autódromo de Interlagos, em São Paulo, trouxe mais veteranos e novidades do indie rock, começando pelos ingleses Johnny Marr, ex-Smiths, e a jovem Ellie Goulding, e fechando com Arcade Fire e New Order.

Em um dia de sol na capital paulista e significativamente mais vazio do que no sábado, quando os ingressos esgotaram, os Raimundos foram um dos primeiros a se apresentar, no palco Skol, para um público fiel da banda brasiliense.

No palco Ônix, Johnny Marr, se recuperando de uma fratura na mão direita, quase ficou de fora do festival, mas apresentou um show coeso com repertório próprio – do elogiadíssimo álbum lançado ano passado, The Messenger, alguns hits de The Smiths, além de I Fought The Law, homenagem a The Clash que fez a versão mais conhecida desta música da banda norte-americana The Crickets. Emocionante foi o encerramento, com There is a Light That Never Goes Out.

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Já a jovem Ellie Goulding não parou um minuto durante o seu show. Só para tirar a camisa da seleção brasileira com a qual subiu ao palco. E se justificou: “Faz muito calor aqui”. Com uma apresentação recheado de pop e um público basicamente de garotas, a autora de I Need Your Love sofreu com o sol do fim de tarde em Interlagos.

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No palco principal os veteranos do Pixies fizeram um show que fez um retrospecto de toda a carreira da banda, mas a falta da baixista Kim Deal, apesar de ter sido substituída pela carismática e talentosa argentina Paz Lenchantin, foi sentida por alguns dos fãs.

Foi uma apresentação para os fãs da banda, que no meio do repertório abriu espaço para as baladas e músicas mais alegres, atingindo o ápice em Where’s My Mind e Here Comes Your Man.

No palco Interlagos, Jake Bugg, cuja sonoridade folk-rock tem algo de Bob Dylan e de Johnny Cash, se mostrou cheio de expectativa para conquistar o público apesar das poucas palavras.

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Ao mesmo tempo, e também pela primeira vez no Brasil, mas devendo uma visita há muito tempo, tocava o Soundgarden. Era a vez do legítimo grunge de Seattle que fez jus à experiência e Chris Cornell dominou o palco fazendo um desfile de sucessos, como Jesus Christ Pose e Black Hole Sun.

Os últimos shows da noite criaram um dilema para o público do Lollapalooza: no mesmo horário Arcade Fire no palco principal e New Order no Ônix. O show do Arcade Fire, grande headline do festival, foi impecável, um espetáculo visual e sonoro, que até os integrantes da veterana banda inglesa falaram que queriam assistir.

A banda formada em Montreal há pouco mais de uma década abriu o show apoteoticamente com Reflektor, single que dá nome ao último disco e que inspirou o espetáculo. O vocalista Win Butler, de máscara, cantou os primeiros versos com um globo espelhado projetado no fundo do palco.

O público se derreteu no gramado do autódromo em um setlist ainda teve Flashbulb Eyes, Neighborhood #3 (Power Out), Rebellion (Lies), Joan of Arc, The Suburbs e Ready to Start e a assombrosa Neighborhood #1 (Tunnels).

Os 12 músicos no palco se divertiram tanto quanto ele em pouco mais de uma hora e meia de show, mais festivo que a sonoridade dos álbuns.

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Logo ali, no palco Interlagos, os ingleses do New Order fizeram um show nostálgico, mas que não se prendeu ao estigma de banda pós-Joy Division. Mesmo com mudanças na formação (a mais recente há três anos, com a polêmica saída do baixista Peter Hook), a banda é uma das principais referências do pós-punk e formou o caráter de muitas gerações.

Bernard Sumner, Stephen Morris, Gillian Gilbert, Phil Cunningham e Tom Chapman passaram por todas as canções que deram identidade ao grupo, como Bizarre Love Triangle, Blue Monday, Ceremony, Perfect Kiss e World (The Price of Love).

E ainda, como na edição chilena do Lolla, o New Order mostrou a inédita Singularity, a primeira em nove anos, e que ironicamente começa com um baixo marcado. Mas o mistério se há algum álbum novo por vir permaneceu.

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