Com show de Lorde marcado para a mesma hora, houve quem pensasse que a banda francesa Phoenix neste sábado (05) no Lollapalooza fosse ser ofuscada pelo fenômeno da Nova Zelândia. A apresentação do grupo liderado pelo vocalista Thomas Mars, no entanto, levou a multidão que cercava o palco Skol e se assemelhava a Serra Pelada a um estado delirante.

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Geralmente um pouco blasés, como bons franceses, desta vez Mars suou a camisa, se despenteou e “pagou” cuecão, escalando uma torre de luz e “surfando” em cima da galera. A histeria é um traço do público da banda, que consegue atrair tanto a galera que já curte a banda há um tempinho, quanto os hipsters e seus incríveis bigodes com as pontas para cima, no estilo Salvador Dalí (1904-1989), e os coxindies, essa nova tribo de vítimas da moda. Ou seja, o Phoenix estava muito em casa no Lolla e pronto a desfazer a fama de que são ruins de palco.  

“Nós vamos contar isso para os nossos netos. Obrigado por serem tantos e por serem tão barulhentos”, disse Mars, o marido da cinesta Sofia Coppola. Se do outro lado, no palco Interlagos, Lorde avisava que “nós nunca seremos da realeza”, a banda francesa abria sua apresentação com uma foto do palácio de Versailles, cidade natal dos manos. 

E tome Entertainment, do disco mais recente deles, o irregular Bankrupt! (2013), e duas do anterior, o já icônico Wolfgang Amadeus Phoenix (2009), Lasso e Lisztomania. A coisa voltou a esquentar com Consolation Prizes. Também entraram 1901, Rome, Too Young, Trying to Be Cool, If I Ever Feel Better e Funky Squaredance.

Ao meu lado, um casal de jovenzinhos, de uns 20 anos, começa uma conversa que parece banal. “Caralho, eu tô muito louca”, ela diz. “Onde tá meu óculos?”. “Guardei na mochila”, o cara responde. Aí a garota solta: “Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu te amo. Desculpa não falar isso com tanta frequência”. 

Bonito. Pra um show que começou com neguinho se empurrando e uma galera histérica gritando as músicas bem no seu ouvido, tocante. 

Identifiquei o legítimo cheiro de festival, rescendendo a grama, suor, cerveja e maconha. Flashbacks me levaram ao segundo Rock in Rio, de 91, onde o senti pela primeira vez.

De volta a 2014. Com a “torcida” a seu favor, o Phoenix apenas retribuiu. Disse o “eu te amo” que seus fãs esperam ouvir com mais frequência. Quem entrou naquele clima, viveu um cinema de si mesmo. Se uma banda pop não serve para provocar esta felicidade infantil, romântica, cruelmente livre de qualquer julgamento, então ela não consegue se comunicar com o seu público.

Sem nenhuma pose de rockstars, os caras “normais” do Phoenix: Mars, Deck D’Arcy (baixo), Laurent Brancowitz (guitarra) e Christian Mazzalai (guitarra e sintetizadores) mostraram que o “french touch” que desembocou em Air e Daft Punk também deixou um filhote no indie pop, ou art-rock, como se denominam.

Pode não salvar sua vida ou o rock, mas, se você acreditar no amor, vai te deixar feliz. 

Veja o set list 

Entertainment
Lasso
Lisztomania
Too Young / Girlfriend
Trying to Be Cool / Drakkar Noir / Chloroform
If I Ever Feel Better / Funky Squaredance
Sunskrupt! (mistura de Love Like a Sunset e Bankrupt!)
Consolation Prizes
S.O.S. in Bel Air
Armistice
1901
Rome
Entertainment

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