Max de Castro está de volta com seu segundo CD “Orchestra Klaxon”, acompanhado de uma “big band” e misturando samba, bossa nova, música eletrônica e jazz.

O disco, lançado pela gravadora Trama, tem parcerias de Castro com Marcelo Yuka, Nelson Motta, Erasmo Carlos, Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, entre outros.

É uma prova de que o artista não quer mais estar sozinho — ao contrário de seu disco de estréia, “Samba Raro” (2000), voltado para elementos eletrônicos e produzido apenas por ele mesmo.

“Esse novo trabalho foi mais além, é mais ambicioso do que eu fui no primeiro álbum”, disse Max de Castro em entrevista recente por telefone.

Para pontuar essa mudança, o músico foi buscar inspiração na revista Klaxon, de 1922, que trazia os ideais de renovação dos modernistas.

“É a minha postura como artista que é revolucionária e não a música em si”, disse Castro a respeito da escolha do nome Klaxon. “E quero também que meu trabalho possa despertar opiniões diferentes dentro de cada um”, acrescentou.

Ao ícone modernista ele somou a palavra inglesa “Orchestra”, fazendo referência ao time que o ajudou no disco.

VIOLINOS E BEATS

As melodias das 12 faixas de “Orchestra Klaxon” podem soar bem familiares, já que o órgão Hammond traz um clima retrô na canção instrumental “O Futuro Pertence à Jovem Guarda”, e as batidas eletrônicas e a voz sintetizada de “Mais uma Vez um Amor” lembram os beats dos DJs Marky e Patife.

Violinos, violoncelos e violas aparecem no meio da faixa “Os Óculos Escuros de Cartola”, que já impressiona pelo começo trip hop. Reminiscências da bossa nova acompanham a voz do coro com Patrícia Marx e o samba aparece na letra dessa canção, que faz homenagem ao mestre mangueirense.

Pesquisador, compositor, DJ, produtor e colecionador de discos, Maximiliano Simonal Publiese de Castro carrega no sangue as lembranças do pai, o músico Wilson Simonal.

“Não tenho como fugir das influências do meu pai, é genético. Mas não faço coisas saudosistas, eu penso para frente, olhando para o futuro”, disse.

A estréia de Castro em 2000 foi bem aceita tanto no Brasil quanto no exterior. “Samba Raro” vendeu cerca de 20 mil cópias nacionalmente e rendeu ao artista um destaque na capa da revista Time em 2001 como a melhor revelação brasileira em 30 anos.

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