Além de trazer o esperado retorno de Amy Winehouse aos palcos depois de um hiato de dois anos, o Summer Soul Festival fez a alegria dos fãs ao trazer para o Brasil pela primeira vez dois artistas muito elogiados em 2010 no circuito internacional: Mayer Hawthorne e Janelle Monae.

Os dois astros chegam ao Brasil para apresentar seus álbuns de estreia, em meio a uma cena musical animada com o movimento neo-soul, que traz artistas como Adele, Raphael Saadiq, Eli Paperboy Reed e os próprios Mayer Hawthorne e Janelle Monae refazendo o caminho da soul music por meio de elementos conemporâneos e com uma pegada mais pop. A própria Amy Winehouse colocou essa onda retrô na esfera do mainstream, e cada vez mais artistas surgem no cenário internacional interessados em refazer o passado por meio de uma visão contemporânea.

O Summer Soul Festival inaugura sua primeira edição pensando exatamente em trazer esses artistas para o Brasil, ancorados na figura polêmica de Amy Winehouse. Considerando que o Brasil ainda não tem um festival dedicado exclusivamente ao soul, é um bom começo, principalmente se a iniciativa começar a ser pensada como um investimento de longo prazo.

O faz tudo Mayer Hawthorne (o cara é cantor, produtor, compositor, arranjador, engenheiro de som, DJ, rapper e multi-instrumentista) foi a primeira atração internacional da noite, apresentando ao Brasil pela primeira vez o repertório de seu álbum de estreia, A Strange Arrangement.

Mesmo sem animar a plateia, que aguardava pelo início do show de Amy Winehouse, o cantor conseguiu fazer uma apresentação bem feita e que agradou a seus fãs. Hawthorne gosta de cantar como se fosse um músico do catálogo da Motown, e a tendência retrô traz um charme especial para seu repertório, com boas canções como Maybe So Maybe No e Your easy lovin` ain`t pleasin. Entretanto, falta ao músico o swing e a batida contagiante dos clássicos da gravadora que tanto aprecia, o que fica evidente nos refrões ainda pouco marcantes de suas músicas.

É difícil julgar a apresentação de um artista com apenas um álbum na bagagem, mas por enquanto é possível analisar que Mayer ainda precisa repensar alguns elementos de suas músicas. Ao vivo suas canções ganham vida, mas em estúdio o músico ainda parece preso a um estilo de música antiga que sua performance não consegue revigorar.

Mas o verdadeiro show da noite foi de Janelle Monae, que trouxe ao Brasil o repertório de seu álbum de estreia, The ArchAndroid. Em estúdio, a cantora mostra seu vozeirão em composições certeiras e repletas de emoção, misturando R&B, funk, jazz e soul. Mas é no palco que suas músicas ganham vida, com Janelle gritando, se descabelando e dançando em um misto de James Brown, George Clinton e Fred Astaire. Seu amor pela performance e por múltiplas personalidades lembra David Bowie, mas seu rebolado é inconfundível: a moça é mesmo uma cria de James Brown com a descontração de um Michael Jackson.

Era difícil desviar os olhos de Janelle Monae, que fez uma apresentação tão animada e intensa que na última música seu penteado cuidadosamente preparado tinha desaparecido, e a cantora estava toda descabelada correndo de um lado para o outro do palco.

Suas composições afiadas e cheias de energia evidenciaram uma de suas principais qualidades: embora suas influências sejam fortíssimas e resultado de uma admiração por artistas com fortes personalidades e legados musicais marcantes, Janelle consegue criar algo novo, uma sonoridade característica que não poderia ser feita por ninguém mais. O swing de suas composições não é um eco do passado, e é nesse quesito que a cantora se sai melhor do que Mayer Hawthorne.

Tightrope, Dance or Die e Cold War, que já eram excelentes canções de estúdio, ficaram ainda melhores, e conquistaram um público que nem mesmo conhecia seu trabalho. Embora parte da plateia da pista vip estivesse sentada no show durante a apresentação de Janelle, na terceira música ninguém mais estava indiferente. A cantora não criou uma comoção, mas cosneguiu instigar no público a vontade de conhecer mais a seu respeito.

ORGANIZAÇÃO

Quem chegou cedo na Arena Anhembi (o show de Mayer Hawthorne começou por volta das 20h20) não teve problemas para estacionar o carro ou encontrar as entradas corretas nos portões do Anhembi, mas a calmaria não durou até o fim do festival.

Após o show de Amy Winehouse, que terminou por volta de uma da manhã, era completamente impossível conseguir sair do estacionamento oferecido pelo evento. As vias estavam todas congestionadas. Nenhum funcionário da organização estava presente para guiar o público para os portões corretos ou informar a respeito de bolsões de táxi ou meios de transporte disponíveis.

Apenas por volta das 3h o trânsito ficou mais ameno e o tumulto no estacionamento começou a diminuir.

Outro problema enfrentado pelo público foi a falta de água e cerveja mais para o fim do evento. Pessoas chegaram a voltar para casa com fichas no bolso.

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