Festejado na Alemanha e na Europa, o Seeed, um combo de dancehall/ragga/reggae/hip hop com 17 músicos no palco, deve mostar neste sábado (24) o motivo de ter sido escolhido para o encerramento da Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, em show com participação de Criolo.
A apresentação, às 19h, é grátis e ao ar livre, na plateia externa do Auditório Ibirapuera.

Perfeito para o grupo que promove a integração entre as pessoas em seu país de origem. “Se você vai ao nosso show e curte, você vai saber que o racismo é uma tolice, que a Alemanha é isso ou aquilo é uma bobagem”, disse da Alemanha, por telefone, o MC Frank Dellé, ao Virgula Música.

Seed – Augenbling

“Em 1982, quando eu voltei para Alemanha, se você ia a um baile, as pessoas não sabiam dançar. Agora, se você vir garotos e garotas, loiros, de olhos azuis, alemães, você vai ver como eles dançam. É incrível ver isso”, afirma Frank, que passou parte da infância em Gana. Leia a conversa a seguir:

Como você explica que uma música nascida na Jamaica possa ter alcançado tanto o Seed quanto Criolo em lugares tão distantes e diferentes como Alemanha e Brasil?

Frank Dellé – É verdade, uma ilha tão pequena cuja influência chega ao mundo todo, não apenas à Alemanha e ao Brasil. De Harry Belafonte a Boby Marley, tanta gente de diferentes tipos de música.

Eu conheci Bob Marley e a música jamaicana quando vivia em Gana, na África. Eu nasci na Alemanha e como meu pai é de Gana, quando eu tinha 6 anos, mudei para lá, onde fiquei até os 12. Para mim, foi Bob Marley que me inspirou a fazer música. Por volta dos 12, 13 anos, encontrei pessoas na Alemanha que sentiam a mesma coisa.

Na Alemanha, muita gente conecta o reggae com praias, alegria, sol. Em Gana, não, era visto como uma música rebelde, nada de sol brilhando. Nós temos raggaes muito felizes, mas a mensagem real era bem mais política. A música é suave, mas a mensagem é muito profunda.

Eu não entendia muito no começo, porque ninguém entendia o patois, o inglês da Jamaica. É uma vibe que também tem na música do Criolo, que também foi inspirado pela música de Bob Marley, eu creio.

Na sua opinião, por que os alemães têm tanto interesse em ritmos?

Eu acho, acho (enfatiza), que após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha recebeu muita influência de coisas que surgiram depois deste período. Muitas crianças que nasceram no país depois deste período não queriam saber de nada que tivesse a ver com os alemães.

Então, eles olharam para os Estados Unidos, olharam para a música negra, para a soul music. Eles não não estavam interessados na sua própria música por muito tempo. Era um tipo de preocupação que as pessoas tinham. Levou muito tempo para que um alemão cantasse uma música legal em sua própria língua. Todo mundo cantava em inglês, mesmo que ninguém entendesse. Cantavam qualquer coisa. Cantar em alemão não era legal.

Após um tempo, as pessoas começaram a cantar seus próprios problemas, em sua própria língua. No Seeed nós fazemos reggae music e música rítmica. Nós não ficamos cantando coisa como ‘Free Africa’, a mensagem do Bob Marley. Nós falamos sobre a situação que nós temos aqui, da nossa geração.

Seeed – Ding

Qual é a mensagem principal da música de vocês?

A mensagem principal do Seeed, na verdade, eu diria que é que não importa a sua cor, de onde você vem, você pode fazer qualquer coisa. Você precisa nos ver no palco e ver. Não dá para você dizer isso é Alemanha, isso é África, isso é Brasil.

As pessoas aqui jogam futebol, elas fazem música negra. A música negra hoje também é feita por pessoas brancas e algumas pessoas negras fazem música branca. O mundo é menor hoje. Nós não nos levantamos para dizer politicamente que isso ou aquilo precisa ser feito. Se você vai ao nosso show e curte, você vai saber que o racismo é uma tolice, que a Alemanha é isso ou aquilo é uma bobagem.

E o que você acha que Brasil e Alemanha têm em comum?

Eu acho que o amor pelo futebol. Também que eles amam música, que eles amam suas crianças. Eles são seres humanos. O que pode ser mais comum que isso?

Em 1982, quando eu voltei para Alemanha, se você ia a um baile, as pessoas não sabiam dançar. Agora, se você vir garotos e garotas, loiros, de olhos azuis, alemães, você vai ver como eles dançam. É incrível ver isso.

Seeed – Wonderful Life

Como você lidam com o sucesso comercial? É possível fazer uma música que tenha alma e ao mesmo tempo venda?

Eu acho que não existe fórmula. Acredito que você tem que amar o que faz e ser realmente bom no que faz. Após um tempo, torna-se verdadeiro. Não seja alguém que você não é. Se eu cantar sobre gangsta, não é a minha história, eu não tenho nada a ver com gangsta. Se eu cantar sobre o que eu faço, as pessoas podem gostar ou não, mas é o que eu faço.

Lógico que a gente está nisso há um tempão, 15 anos. E o sucesso não acontece de uma hora para outra. Agora nós somos muita gente tocando juntos. É como um time de futebol. Nós nos conhecemos, então a qualidade da música vai crescendo.

Nós nem sempre fizemos sucesso, nós trabalhamos por 12, 13 anos para alcançá-lo.

Além do Criolo, que outros nomes da música brasileira você curte?

Na real, nós não conhecíamos o Criolo. Antes de ir ao Brasil, nós vimos vídeos de alguns artistas e dissemos, se nós tivermos que tocar no Brasil com alguém é preciso que tenha a qualidade que temos na Alemanha. Então essa música é conhecida aqui, mas é preciso que você esteja por dentro da cena de raggae. Não é uma cena mainstream, mas é grande.

Quando nós vimos o vídeo do Criolo, nós pensamos, esse cara é bom. Nós não entendemos português, sabe? Mas pensamos esse cara é realmente bom.

Eu não gostaria de falar de algo que eu não conheço, não sei muito sobre a cena musical. Talvez, depois que a gente passar pelo Brasil, eu possa falar, mas não agora.

E a música tradicional do Brasil, bossa nova, essas coisas influenciam vocês?

Sim, a música latina em geral nos influencia. Aqui nós temos um evento que se chama Carnaval das Culturas, com muitos tambores, como o Olodum. Mas, a cena reggae é mais uma influência para nós, que a cena do pop, hip hop e rock, digamos.

Seeed – Dickes B

Para encerrar, o que a galera pode esperar do show de vocês aqui no Brasil?

Se o “preconceito” que eu tenho for confirmado, o povo brasileiro curte muito dançar e festejar. Se for verdade, vocês terão uma festa muito foda, pode ter certeza. Mas não me desapontem, é um “preconceito” que eu tenho sobre o Brasil, quero ver muitas garotas e caras suingando.

SERVIÇO

SEEED – Participação especial: Criolo
Programação da TEMPORADA ALEMANHA + BRASIL 2013-2014
Dia 24 de maio (sábado), às 19h
Gratuito
Classificação Indicativa: livre para todos os públicos
Auditório Ibirapuera – Plateia Externa
Capacidade: 15 mil lugares
Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2 – Parque Ibirapuera
(Entrada para carros pelo Portão 3)
Fone: 11.3629-1075
Informações: info@auditorioibirapuera.com.br e
http://www.auditorioibirapuera.com.br/
Acesso a deficientes – Estacionamento no Parque Ibirapuera, sistema Zona
Azul – R$3,00 por duas horas. Sábados, domingos e feriados das 8h às 18h.
Ônibus: Estação da Luz – Linha 5154 – Terminal Sto Amaro / Metrô Brás – Linha
5630 – Jd. Eliana / Metrô Ana Rosa – Linha 675N – Terminal Sto. Amaro Linha
677A – Vila Gilda – Linha 775C – Jd. Maria Sampaio / Metrô Vila Mariana – Linha
775 A – Jd. Adalgiza.

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