Tomás Bertoni

Apenas em sua segunda edição, o Festival CoMa 2018 surpreendeu pelo gigantismo, a produção acurada e a diversidade de vozes. Em meio e termômetros superando 30 graus no inverno e uma cena interessante seria fácil dizer: Brasília is burning.

Mas, ainda que a festa da música eletrônica esteja longe de acabar por aqui – a festa nunca termina -, o DF têm se mostrado uma antena para captar fenômenos como Elza Soares, Xênia França, Céu, ÀTTØØXXÁ e Linn da Quebrada. Rico Dalasam fez um show histórico no ano passado e Letrux está sempre na área.

Com 50% de bandas locais e nomes consagrados, o CoMa é um festival de fazer inveja a qualquer cena. Nós sabemos que não é fácil e conversamos com Tomás Bertoni, guitarrista da Scalene e um dos coordenadores do evento para tentar descobrir como eles conseguiram levantar esta parada: “A segunda edição a gente construiu em cima da primeira, do ano passado. A gente melhorou em muitas coisas. O feedback no ano passado já foi muito massa, a galera curtiu muito e este ano ainda mais. O público se amarra muito”, afirmou o músico, ícone do novo rock BR.

“É massa que um festival feito de forma verdadeira, os artistas sacam. Quem conhece a gente que tá fazendo ou os que chegam, elas vão além e entregam shows maravilhosos”, falou Tomás no backstage.

E quais seriam os valores essenciais do festival? “De forma pragmática, ajudar a criar um meiostream no Brasil, acho que a gente está chegando em um ponto que não existe mais esta coisa de ou underground ou maistream. Existe um meio ali que os músicos, as bandas, as musicistas, as pessoas conseguem viver de música, viver bem, fazendo o que querem, arte, sem amarras, sem ter que lidar diferentes tipo de demandas que limitam o artista, e toda a cadeia produtiva” afirmou.

“Festivais como este e toda essa cena não depende mais de estilos, o que direciona este meiostream brasileiro que está acontecendo é mais a ideologia e princípios. Galera do rock, hip hop, MPB, pop, galera que tá no zeitgeist do Brasil e do mundo está se conectando”, argumentou.

Sobre as características que ele considera mais marcante da atual geração, ele afirma: “A galera está se entendo como artista em um mercado que está começando a se estabilizar depois de todo caos, tecnologias, distribuição, gravadoras ou não, acho que os artistas estão começando uma era de entender em um mundo novo, no século 21. É muito massa ver tudo isso convergindo, se estabilizando e dando certo”, ressaltou.

Sobre a cena de Brasília, ele voltou ao assunto da quebra de fronteiras. “Os nichos estão se misturando. Antes ficava o rock dos anos 80, não tem mais muito essa. O Scalene mesmo é uma banda da década de 10 do século 21. Não tem mais essa do rock de Brasília, a galera do chorinho de Brasília. Esses nichos estão se misturando, se fortalecendo e o público tá aprendendo a consumir. Tudo bem um show de hip hop, rock, MPB, hip hop e rock de volta. A galera tá aprendendo a lidar com isso, público, artista, mercado, as produções de eventos”, completou o músico.

Já em relação às conferências, com gente de diferentes partes do mundo, o músico e coordenador do festival falou: “O que acontece no Canadá serve de referência pra cá e o que acontece aqui, serve de referência para lá. Brasil e América Latina, que deveria ser muito mais conectado do que é”.

“Depois a conferência acaba, vai geral ver os shows, e na música e na arte, quando rolam conexões pessoais entre os agentes desse mercado, é muito mais verdadeiro. Você ter uma reunião e diferente de você estar curtindo um festival dançando com a galera. Você entende a pessoa do outro lado e a partir do momento que você entende a pessoa que tá do outro lado, você entende o que ela está imprimindo no profissional. Então acho que festivais que tem shows e conferências, o motivo é esse, botar todo mundo para curtir junto e se entender como pessoa e profissional ao mesmo tempo”, encerrou.

* O jornalista viajou a convite do festival

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